Precisamos falar de Cálcio e de Energia

23 comentários sobre “Precisamos falar de Cálcio e de Energia”

  1. Poderia explicar melhor como quantificar o Cálcio a ser aplicado, uma vez que mesmo não sendo a melhor opção ainda é a acidez e a saturação de bases que nos dá um norte?
    Será que a vida no solo daria uma noção mais precisa do que realmente acontece na química desse solo?
    Ao estudar análises de solos, nota-se que para manter o pH não ácido as aplicações de calcário precisam ser frequentes é como um ciclo previsível, por outro lado esse ciclo me parece curto porque só focamos na parte química não trabalhando a biologia e a física do solo. Acha esse raciocínio correto?
    A energia vegetativa e reprodutiva é quantificável?
    A mim cabem perguntas, muitos profissionais são vendedores de insumos e convencidos com tabelas e fórmulas, não estou tão convencida desses métodos, a começar pelas análises de solo cada vez menos profundas em função de um plantio direto de monoculturas visando produtividade.
    Obrigada por compartilhar contrapontos.

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    1. Boa Noite,

      Estive em Santa Maria em Outubro passado dando um curso na sua região, mas eu creio que eu o divulguei esse
      curso aqui no blog.

      1. Como quantificar o Cálcio a ser aplicado ?
      Depende de qual método vc deseja usar.
      Existe o método oficial que é um método totalmente imbecil porque somente leva em consideração
      o pH.
      O pH só vai te dar uma única idéia que é a quantidade de ions H+ de um solo.
      Nós estamos interessados é no outro lado da moeda, isto é o que compõe esse solo que não seja
      H+, ou seja, Ca++, Mg++, K+ e Na+.
      Esse método vc já conhece mas mesmo assim o ego das pessoas encarregadas por essas análises “oficiais”,
      fazem com que tenhamos algumas formulas diferentes. Bem como os valores vão diferir entre os laboratórios
      porque diferentes extratores serão usados no RS, São Paulo, PR, Nordeste, etc… influenciando os resultados.
      Ou seja, não é uma ciência exata. Não é nem mesmo uma “ciência” no meu modo de ver.

      Existe o método Albrecht, que só funciona se o extrator for Acetato de Amônia da mesma forma que ele fazia e que hoje
      os laboratórios do Perry Ag Labs e do Kinsey Ag ainda usam. Se não for uma analise deles não adianta querer usar as
      mesmas proporções.

      E existe o método Reams que usa o método La Motte para analise de solos que usa o extrator Morgan original.
      Ou seja qualquer método de analise de solo começa com o extrator. Se os extratores forem diferentes você não
      pode comparar um dado de um laboratório com o outro de outro laboratório.

      Para quantificar o cálcio a ser usado vc terá que fazer no sistema Reams vc terá que fazer a analise de solo no
      International Ag Labs, ou no Soil Woks Lcc.

      Você não pode querer usar os números citados no artigo usando uma analise brasileira em hipótese alguma.

      Discordo de vc: a acidez não quer dizer absolutamente nada. Como eu disse somente a concentração de H+.
      Ela apenas exibe um lado da moeda. O que nós estamos interessados
      e no outro lado da moeda, isto é, na Saturação de Bases. Um valor é antítese do outro. Ou seja, a acidez é apenas
      um reflexo da falta dessas bases. Será que isso é tão difícil de ser entendido ?
      Esquece pH. Foca somente na saturação de bases e trabalha em cima de manter as proporções que o Albrecht preconizava
      mesmo usando outro tipo de análise de solos.

      A vida do solo sim é um bom indicador de como está a mineralização desse solo. E essa vida é responsável por tantas coisas
      que acontecem nesse solo, mas o seu efeito em termos de disponibilização ainda não é quantificável.
      Eu uso o microBIOMETER mas esse teste apenas te da uma idéia da micro vida do solo e não diz mais nada.
      Sim, é preciso aumentar os teores de M.O. do solo para ver a coisa mudar. Isso irá refletir também, além da proporção
      entre Cálcio e Magnésio , na física do solo.

      Por “manter o pH não acido “vc quer dizer manter o pH na faixa de 5.5 a 6.5 ?
      Sim as aplicações terão que ser anuais mas em quantidades bem menores.
      Outra coisa que vc precisa levar em conta é o tipo do Cálcio, a sua textura e a sua granulometria.
      Ai no Sul vcs tem um material maravilhoso que é o Calcário de Conchas da CYSY em Sta Catarina.
      Excelente textura e granulometria além de ter elevado teor de Cálcio.

      Energia Vegetativa X Reprodutiva ser quantificável ?
      Indiretamente sim. Se vc saber quais os minerais tem reação reprodutiva e quais tem reação vegetativa
      e tiver uma idéia desses mesmos nutrientes no solo dá pra saber.
      Também pode medir a Condutividade Elétrica desse solo com um determinador Hanna de haste especialmente feito
      para essa finalidade. Esses testes de C.E. feitos em laboratório não tem valor algum.

      Agora eu vou te dizer uma coisa que eu digo aos meus alunos e talvez isso lhe choque profundamente. E isso é:
      “Um solo “ideal” ou perfeito não é garantia nenhuma de produzir boas colheitas”. E você pode colocar o meu nome
      ao lado dessa frase.

      A nossa profissão é uma das mais difíceis que existem no mundo. Nós precisamos dominar outras técnicas e eu
      tento ao máximo transmiti-las aos meus alunos nos cursos que eu ministro por esse Brasil afora.
      Em 5 e 6 de Abril, em Campo Grande , MS mas esse já está esgotado desde Fevereiro.

      Abs

      José Luiz

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      1. Obrigada sempre um prazer ver seu entusiasmo com o conhecimento dessa área ainda pouco conhecida e diria descuidada.
        “Um solo “ideal” ou perfeito não é garantia nenhuma de produzir boas colheitas“. José Luiz. (Não resisti).
        Boas colheitas dependem de tantos fatores a água e luz, por exemplo, mas aí é assunto para outra conversa.

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    1. Oi Roberto,

      Agradeço as suas palavras de incentivo.
      Felizmente existem pessoas como você que eventualmente irão fazer as necessárias mudanças dentro da academia que a resgatarão desse longo pesadelo iniciado quanto a epistemologia do conhecimento determinou que seria mais importante o pensar do que o sentir ou propriamente o saber inerente aos povos não industrializados como os romanos onde viam o sagrado em qualquer coisa mesmos nas inanimadas como as rochas.
      Descartes infelizmente mudou as coisas com a famosa frase “Penso, logo existo” e hoje somos reféns desse modelo.
      Com esse artigo a minha intenção foi exatamente mudar o foco para determinadas pessoas que foram além da academia e conseguiam simplesmente “ver”.
      Por isso, Carey Reams frequentemente dizia “Veja o que você está olhando”, realmente expressando uma verdade, a de que existe uma diferença fundamental entre “olhar”e “ver”.
      Continue sempre com essa disposição de olhar tudo mas se possível conseguindo ver a realidade subjacente ou por trás de tudo o que existe.

      Attn

      Jose Luiz

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    1. OI Flavio,

      Eu conhece o ORMUS ou ORMES sim. Fazem mais de 20 anos que tomei conhecimento sobre a existência deles.
      Mas o conceito de Carey Reams não contempla os Ormus não. É um approach totalmente diferente.
      Ns EUA temos alguns produtos que contém Ormus muito bons como o SEA 90 e o SEA CROP ( Obs: Não é o mesmo
      Sea Crop vendido no Brasil que contem apenas Extrato de Ascophyllum nodosum ).
      Eu estou atualmente trabalhando em cima de um produto que no futuro eu espero estar disponível e que conterá
      Ormus na sua composição.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Dr José Luiz, é realmente um privilégio poder ter contato com esse conhecimento por seus textos, infelizmente muito poucos fazem esse trabalho como faz, esperamos que surjam mais.

    Sobre as análises, creio que dificilmente teremos acesso às usadas por Reams e Albrecht aqui no Brasil, no seu comentário acima você deu algumas alternativas, ótimo. Queria saber sua opinião sobre sap analisys. Tenho visto o trabalho do Nova Crop e do Health Crop Labs, assim como escuto sempre nos webinars no John Kempf sobre o quão interessante a análise de seiva é para determinar a real absorção de nutrientes e a conversão na planta, coisa que a análise química do solo passa longe, e a análise de folha, como tecido, parece não ser muito confiável nesse sentido. Pesquisei e perguntei bastante e não cheguei a encontrar um lab trabalhando com isso no Brasil. Você acha que chega aqui, claro que depende um pouco de nós, ou vai ficar pra nossos amigos “desenvolvidos” como os antes citados?

    E aproveito pra perguntar se tem algum curso marcado pra esse ano, espero poder estar presente em algum.

    Abraços!

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    1. Boa Tarde,

      Eu creio que não demora muito e vamos ver a Nova Crop aqui no Brasil talvez entrando pela Holambra já que são holandeses.
      Quando esse laboratório estiver presente aqui no Brasil você e outros profissionais poderão realmente dar um “salto quântico” e começar a
      ver todas as interações que existem os diferentes minerais tanto no solo quanto e principalmente na folha.
      Não se trata apenas de níveis absolutos, mas sim de níveis relativos entre os diferentes minerais no tecido vegetal.

      Eu até achava que ia vê-los esse ano na HortiTech mas infelizmente não vi.

      Enquanto eles não vem para o Brasil vamos nos virando com Refratômetro, Medidor de pH, Nitratos, Cálcio, Magnésio e Potássio da Horiba com a linha Acquamin que já estão aqui no Brasil.

      A analise de folha é totalmente não confiável porque elementos como o Ferro, por exemplo, são absorvidos até mesmo na sua forma
      oxidada ( ferrugem) e vão aparecer nos resultados de analise foliar sem contudo estarem disponíveis para a sua utilização pelas
      plantas. O mesmo se dá com as analises de solo porque não sabemos de aquele determinado micro nutrientes estaria na sua forma
      oxidada ou reduzida.

      Enquanto isso, a Embrapa, que foi criada para ajudar o produtor, está mais interessada em escrever trabalhos ditos “científicos” as vezes com até 20 autores para engrossar curriculos e com isso aumentar os seus salários pagos pelos próprios produtores, e posar de sabichões “cientistas” dizendo o que vale e o que não vale, o que pode e o que não pode. Temos que nos livrar dessa gente definitivamente. Isso é Ditadura Científica.

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  3. Interessante. Não sei se estou correto, mas mesmo nos EUA e por aí não temos muitos labs trabalhando com o método? Foi patenteado? Parece que foi registrado em 2002, nesse caso teríamos que esperar mais um tempo, temo que a difusão pelo Brasil ficaria prejudicada se a tecnologia estivesse nas mãos de uma única empresa.

    Sobre a nossa academia, imagino a resistência, já existente, quando os paradigmas forem por água abaixo…

    Abraços!

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    1. É por isso que as vezes até me dá vontade de montar um laboratório mas não desejo mais essa prisão para mim e nem para ninguém.
      Eu mandei todo o procedimento de Haney Test para avaliação da matéria orgânica do solo para dois laboratórios e até
      agora nada.
      A Agronomia deverá mudar totalmente nos próximos 20 anos que é o tempo necessário para que a maioria desses dinossauros
      morram e que as suas idéias velhas e ultrapassadas sejam definitivamente esquecidas.

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      1. Em algum momento iria te perguntar sobre o Haney test também. O que mais me deixa intrigado é que, pelo menos nos EUA, os maiores expoentes da agricultura, nem que seja a biológica, quase sempre tocam no assunto: sap analisys e Haney test. E ainda assim, quase não se vê, ou não se vê nenhum movimento pra trazer essas tecnologias para cá. Não sei se é desinteresse, incompreensão, não saber falar inglês. Da academia eu não espero mesmo.
        Com essa urgente necessidade não consigo evitar pensar na possibilidade de um laboratório. Me pergunto por que considera uma prisão..

        Outra coisa: onde acho sua apostila? Procurei na internet e não a encontrei.

        Abraços.

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      2. Caro Rodrigo,

        Me mande o seu e mail que lhe mandarei a apostila. Só por curiosidade outro dia eu fui a um evento no qual estavam
        vendendo copias dessa apostila a R$ 50,00. Mas estou disponibilizando via internet gratuitamente.

        Eu vivi parte da minha vida dentro de um laboratório. Acho que já dei a minha contribuição. Eu agora quero estudar a
        Natureza e sem dúvida ela não está dento de laboratório algum. Eu de agora em diante quero ficar dentro de algumas
        matas e florestas o maior numero de vezes possíveis. A resposta para os nossos problemas está toda lá dentro.

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  4. Boa Noite. Poderia me enviar a apostila também.
    “Jon Frank estima que a mistura de 80% de Calcário Calcítico com 20% de Gesso Agrícola seria o ideal”

    Sempre de acordo com a necessidade do solo né?
    Me pergunto, porque no Brasil ainda fazemos as coisas todas erradas, se existe a coisa certa a se fazer?

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    1. Estude a nossa história e descobrirá o porque.
      Ser colonizado por Portugal não ajuda muito.
      Mas até o Dom Pedro II as coisas estavam indo bem, depois degringolaram.
      Essa proporção de 20% de Gesso / 80% de Calcário era o que falavam até mesmo nas Universidades
      quando começou o uso do Gesso aqui no Brasil. Não chega a ser nenhuma novidade. Depois foi que mudou.
      No caso das analises pelo método Albrecht e os demais métodos fica claro que todos os outros métodos
      subestimam as quantidades dos diferentes minerais e fazem você gastar mais dinheiro para corrigir os
      diversos teores e que não é um problema exclusivo nosso. Antes fosse.
      Até na Alemanha o Kinsey teve o prazer de demonstrar que o Albrecht estava certo.
      O problema é exatamente os próprios profissionais dessa área e a mania do governo de legislar sobre essa questão.
      Eu acabei de comparar 13 resultados feitos com a mesma amostra.
      Eles só concordavam no teor de Matéria Orgânica, CTC e no Enxofre. Nos outros teores, os do Método Albrecht estavam mais
      altos, exceto o Ferro que o método da Embrapa, que utiliza Mehlich, subestima a quantidade desse elemento pela metade.
      A grosso modo, pode-se dizer que os métodos Embrapa e IAC usados pelo IBRA, por exemplo, subestimam
      o Cálcio em 35%, Magnésio 26% e Potássio em 20% comparados ao Perry Ag Labs e Kinsey Ag Labs ( Método Albrecht).
      Já o Boro no IBRA difere em 115% para mais, o Ferro em 115% a menos, Manganês no Brasil é a metade, Cobre menos 71%,
      e Zinco menos 53%.
      Loucura Total.

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  5. Parabéns pelo blog professor! é esse seu belo trabalho divulgando informações que não são ensinadas na academia que irá formar novos agrônomos, pesquisadores e produtores propagadores da agricultura biológica no Brasil!!!

    Peço encarecidamente que me envie a sua apostila, prosseguir nos estudos dessa “novo” modo de pensar a agricultura é extremamente empolgante e revigorante!!!

    gabriel-rural@hotmail.com

    Obrigado e vida próspera aos seus ensinamentos!!
    Abraços!

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