“In Silvus Veritas”

José Luiz Moreira Garcia

Instituto de Agricultura Biológica

“A ciência é o resultado do esforço do homem, para conhecer a obra de Deus “

     Esse é o lema do Instituto de Agricultura Biológica, criado por mim em 2015, com o objetivo de propagar os ensinamentos de toda uma plêiade de pensadores que, na época, ajudaram a moldar e construir a, então nova,  AGRICULTURA BIOLÓGICA, que se baseava mais precisamente nos ensinamentos de Carey Reams, sobre o qual eu escrevi um livro em 2022 (1), mas que simplesmente propunha uma Agricultura mais próxima a Natureza, biológica, e portanto Divina, conforme o próprio Reams assinalou.

     A Agricultura Biológica, como era conhecida nos EUA, focava em fazer uma agricultura mais inteligente, e usar todos os recursos disponíveis que fossem (até mesmo os químicos, desde que não tóxicos), e não simplesmente, aqueles determinados por uma suposta “inteligentzia” superior burocratizada orgânica, presa a normas e padrões, muita das vezes equivocados.

    Era, por assim dizer, uma escolha mais inteligente à alternativa Orgânica que, já então, trilhava o perigoso caminho da Agricultura Convencional de Substituição, ao adotar os mesmos critérios sobre como fazer agricultura, da Agricultura Convencional Quimicalisada, que nos foi ensinada pela academia do brejo nas faculdades e que alega que é preciso intoxicar o planeta para “alimentar o Mundo“.

      Ou seja, já não era mais o NPK químicos e agrotóxicos poluentes mas sim as fontes de N, P, K naturais com o seu consequente e, diga-se de passagem, obrigatório séquito de fungicidas e inseticidas não poluentes e/ou naturais. Insetos e doenças são a consequência inexorável de uma forma equívoca de se nutrir as plantas.

       Isso porque, todas as vezes em que se insiste em fazer agricultura usando a tríade famigerada, ou seja o N, o P e o K, principalmente o Nitrogênio (ainda mais, na sua forma nítrica), insetos e doenças fatalmente irão fazer parte do seu dia-a-dia. Para termos a resistência e a imunidade naturais a insetos e doenças, é preciso que usemos o principalmente o SILÍCIO e o ENXÔFRE, além de Boro e Cálcio, e cuidar para que o brix esteja elevado para que os vegetais possam, então, cumprir a sua sagrada missão que é a de nutrir homens e animais. Nesse contexto, o Potássio sem dúvida alguma, adquire uma maior importância por promover a síntese de carboidratos e promover a sua distribuição na planta bem como o Fósforo (junto com o Cálcio, é verdade) também tem muita importância em ajudar a manutenção do grau brix elevado e fornecer matéria prima para a produção de energia nas plantas.

            Mas o arcabouço mental por trás da Agricultura Orgânica era o mesmo da Agricultura Convencional. Tanto é que, mesmo após 100 anos de ter sido criada, ela não conseguiu se afirmar como um caminho viável para a produção de alimentos de qualidade para as grandes massas. Ela apenas garante (quando muito) o fornecimento de alimentos isentos de agrotóxicos para uma minoria, mas não necessariamente mais nutritivos, pois esse é que deveria ser o sagrado papel dos alimentos, alimentar e nutrir, e não apenas criar commodities para serem trocadas  por moeda corrente. Essa nova Agricultura seria então, a Agricultura Biológica Nutricional ou a Nutrition Farming .

    Nessa mesma época (2015), surgiram os agentes biológicos isolados, um grande avanço sem dúvida, mas que infelizmente usavam o mesmo raciocínio convencional sobre como controlar as chamadas “pragas e doenças“ e as pessoas confundiram o Biológico do Carey Reams com o Biológico de se usar agentes biológicos. Interpretações erradas são a marca registrada do pensamento aqui no Brasil.

     Ao mesmo tempo em que explodia a multiplicação de biológicos isolados “On Farm“, surgia outro movimento que se auto denominou “Sustentável”, sem contudo explicar até hoje o que vem a ser esse termo.

     Carecia de definição e, ao que tudo indica, tratava-se de se fazer apenas uma agricultura de forma mais econômica, já que o custo da orgânica bem como da chamada convencional eram, e ainda são, bem maiores e que já atingiam patamares que eram realmente insustentáveis.

     Vale dizer que qualquer pessoa que decida trilhar esse novo caminho deverá primeiro ter como imposição moral não usar mais substâncias reconhecidamente tóxicas e tentar fazer a coisa da forma correta. Não usar, por exemplo, o Glifosato ao invés de ficar buscando desculpas para o fazê-lo, se filiando a movimentos que supostamente deveriam fazem uma agricultura não tóxica.

     Eu previ, vários artigos atrás, nesse mesmo blog, que o dia em que os adubos químicos com as suas muletas obrigatórias (inseticidas, fungicidas e herbicidas) se tornassem mais baratos, os “sustentáveis” iriam imediatamente voltar as suas origens e, foi exatamente isso que ocorreu de 2025 a 2026. Só visaram o custo, todo esse tempo e mais nada. Ao primeiro sinal de baixa dos preços dos agrotóxicos voltaram a usa-los sem mais nem menos e sem o mínimo pudor.

    Entretanto, esse movimento dito sustentável acabou dando lugar a um outro movimento que também se auto denominou “Regenerativo”, que embora ainda careça de uma definição adequada, tem atraído um número cada vez mais crescente de adeptos, pois tem um apelo melhor que o simplesmente Sustentável. Ou seja, a Agricultura Sustentável não conseguiu sustentar sequer o seu próprio rótulo. Portanto, Acabou.

     E o que vem ser a Agricultura Regenerativa ?  Esse movimento que teve início no Serviço de Conservação de Solos do USDA ( NCRS ),  é calcado em 4 princípios básicos.

Figura No. 1 –  Princípios da Saúde do Solo. Fonte : NCRS-USDA

      Entretanto, continuo vendo agricultores correndo atrás de processos ( as chamadas “receitas “) para atingirem seus objetivos, quando na verdade, deveriam estar ligados em mudar radicalmente o seu pensamento e se colocarem realmente como produtores de alimentos que nutram pessoas e animais, e assim o fazendo, cumprirem o seu compromisso sagrado de poderem utilizar os milagres colocados a nossa disposição e pela própria Natureza, vale dizer por Deus.

     Não nos esqueçamos que transformar sementes em alimento, por meio da biologia, do uso racional do solo e dos recursos naturais disponíveis do planeta é uma dádiva divina concedida a nós pelo Criador, e todos aqueles que se dedicam a essa árdua tarefa. Temos a obrigação moral de entregar esse solo e demais recursos naturais do planeta aos nossos descendentes em condições melhores do que recebemos.

     Se assim não estivermos assim procedendo não poderemos ter o honra de nos considerarmos, agricultores.

      Somos apenas concessionários desse poder divino. A nossa principal tarefa é sermos coletores de Luz Solar e construtores de um solo saudável para as gerações futuras. E não buscar simplesmente o vil metal. Isso deveria ser apenas a consequência do nosso trabalho. Não é justo enriquecer as custas da degradação do patrimônio da Humanidade.

      Outros adjetivos nesse caso, talvez possam ser melhor empregados. Cáften seria um deles. O café felizmente não me deixa mentir. Quem conhece a cultura do café sabe ao que me refiro. Trabalham como intermediários entre essa concessão divina e as pessoas que precisam ter acesso a esses alimentos, nem que isso signifique propiciar a contração de alguma intoxicação sistêmica, ou pior, um câncer à longo prazo, a troco de algum ganho financeiro.

     Portanto, é que acho muito interessantes e pertinentes as palavras de pessoas como a jovem Caroline Grindrod, quando delineia a razão do fracasso da maioria dos projetos ditos regenerativos. Ela argumenta que a maioria dos projetos convencionais que tentam fazer uma mudança para o sistema regenerativo utilizam no maximo 5% de mudança  de comportamento do que ela chamou de mindset (mudança de paradigma) ou aquisição de algum padrão de compromisso moral.

     Segundo ela ( 2 ), o correto seria 50% de comprometimento moral com a produção), porém, os projetos regenerativos invertem praticamente esses números ao usarem 80% de práticas (receitas), 15% de design (projeto) e somente , e quando muito, 5% de mudança de cabeça (mindset). Pensem nisso.

     Quantas vezes vocês já viram cursos sendo oferecidos pela internet focados preferencialmente em receitas. Pergunta-se : seria assim que  podemos fazer a transição entre um sistema viciado e o de uma nova proposta de se produzir alimentos superiores ? Eu creio que não.

      Para que alimentos superiores sejam produzidos é preciso que reconheçamos a importância do Enxôfre, do Boro, do Silício e do Cálcio, que são os minerais que iniciam a chamada Sequência Bioquímica da Nutrição Vegetal conforme elaborada por Hugh Lovel em sua obra (3).

Figura 2. A Sequência Bioquímica da Nutrição de Plantas (3)

       Sem que aqueles quatro minerais sejam levados em consideração, nunca será possível utilizar adequadamente o N, o P e o K, principalmente o Silício que desempenha o papel de “gerente “ do solo.

       A nutrição vegetal não pode mais ser vista como um processo isolado e fora de um contexto maior, como se fosse uma hidroponia.

      Não existe “nutrição vegetal” sem um solo bem estruturado, vale dizer, descompactado, para que as raízes tenham pleno acesso ao seu principal nutriente, o Oxigênio e para que a água, tão importante nesse processo, também possa proporcionar um suprimento adequado do mesmo Oxigênio e do Hidrogênio; sem uma microbiologia do solo robusta, para que importantes nutrientes sejam solubilizados e disponibilizados às plantas na forma adequada e na mesma forma que a natureza evolui fazendo isso, por milhões de anos, e também para que outros sejam fixados como o Nitrogênio, em níveis adequados para que insetos não sejam atraídos e danifiquen as suas lavouras em uma planta previamente fortalecida e enrijecida pelo Silício.

      Que a Nutrição Luminosa, que nós é fornecida pelo Sol gratuitamente, seja melhor aproveitada, com as plantas tendo a sua disposição suficiente Silício para a formação de uma camada vítrea delgada por sobre a superfície das folhas, que irá refletir os nefastos raios UV que tanto aquecem a plantas e as fazem mudar seu metabolismo do modo fotossintético para o modo fotorespiratório, impedindo que as mesmas deixem de acumular açucares e amidos e passem a gasta-los por terem que cerrar seus estômatos para evitar a sua desidratação e consequente morte.

      Para tanto será preciso que a academia míope e cooptada pela indústria de fertilizantes, deixe de lado o seu raciocínio primitivo, linear, cartesiano e pueril e abrace, então, uma nova forma de enxergar a realidade em tempos de inteligência artificial e de Física Quântica. O mesmo framework que gerou a criação da chamada Lei do Mínimo há 180 anos atrás, nos primórdios da Química Orgânica e que gerou toda essa pseudo ciência denominada de “Ciência dos Solos”, não serve mais para explicar as maravilhas que o Silício performa no solo, nos microrganismos e nas plantas.

      A cada nova descoberta da verdadeira ciência sobre o papel do Silício na esfera nutricional da planta e do seu meio, aumenta o descrédito nos chamados cientistas de várzea e coloca em cheque toda a credibilidade dessas instituições.

      É chegada a hora de admitirmos a grandeza da criação divina e passarmos a praticar uma nova agricultura que nos eleve a condição de homens e não mais de crianças. Rezo para que os agricultores saiam dessa eterna puberdade e se tornem realmente homens de verdade.

Referências

  1. Garcia, J.L.M. ( 2022 ) Agricultura Biológica : Técnicas Avançadas para o agricultor sustentável, Ed. Garcia, 109 pgs.
  2. Grindrod, Caroline (2025) The 50/40/10 Principle : Why pactices are only 10% of Regenerative Farming Success, Dec 2nd, 2025, Roots of Land Ltd., Linkedin.
  3. Lovel, Hugh ( 2014 ) Quantum Agriculture – Biodynamics and Beyond, Quantum Agricultural Publishers, Blairsville, Georgia, 216 pgs

2 comentários em ““In Silvus Veritas””

  1. Dr. José Luiz Garcia, o senhor trás um novo e correto entendimento, quando explica a importância da nutrição baseada no silício, boro, cálcio. Entendo que o N P K não deve ser desprezado, mas ocorre que o NPK foi endeusado. Dar importância ao Metabolismo fotossintético em detrimento do fotorespiratório. Essa frase trás o silício para onde ele deve permanecer. Parabéns e obrigado pelo artigo !

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