Porque a relação Ca:Mg é importante: O Equilíbrio que gera Lucro
Por Graeme Sait
CEO da Nutri-Tech Solutions

Nutrition Farming (Agricultura Biológica Nutricional) é alicerçada no manejo de minerais, microbiologia e humus e no entendimento das suas interrelações. Nenhum mineral funciona por si só, e nenhum mineral é menos singular que o tão importante Cálcio. Esse mineral impacta diretamente a disponibilidade de sete outros minerais. Esse é o porquê de nós sempre tentarmos levar em consideração o Cálcio antes de que qualquer outra medida corretiva, no desenvolvimento de sistemas produtivos voltados a nutrição.
Existe outra razão, além do aumento da absorção de minerais, que aumenta muito a suprema importância do Cálcio. O Cálcio determina a capacidade do seu solo respirar. O elemento mais importante para a fertilidade que garante altas produtividades não é o N. Não é o P, ou K, ou muito menos o Cálcio. O Motor da produtividade é o Oxigênio.
Você está manejando a Troca Gasosa acima de tudo. A facilidade do Oxigênio em se mover livremente no solo e, então, depois que raízes e microrganismos tenham inspirado o oxigênio, eles o expirarão CO2. Aquele resultado da expiração, agora se acumula na zona radicular, se difunde para fora do solo e vai direto para os estômatos que estarão aguardando (na porta de entrada para esse gás, localizada na parte de baixo das folhas ou abaxial – nota do tradutor). Lá, já então dentro da planta, junto com a água e a luz do sol, nós temos as bases para a fotossíntese, o processo mais importante do planeta. Quanto melhor você for capaz de manejar a Troca Gasosa, melhor irá se sair. O impacto benéfico dessa entrada de oxigênio e saída de CO2 será dependente da friabilidade do seu solo. E aquela capacidade respiratória é determinada pela Relação Cálcio: Magnésio.
Química do Solo simplificada para o grande público.
O Cálcio é um íon grande com duas cargas positivas (cátion divalente). Imagine isso como sendo uma bola de academia de Pilates com uma carga positiva em cada lado. A argila é o principal veículo para o armazenamento do Cálcio no solo. A argila coloidal tem locais carregados negativamente, tipo um Velcro, que se liga a cada um dos lados da bola de Pilates. Esse aspecto efetivamente empurra (separa) as lâminas de argila e solo, então, respira (floculação).
O Magnésio é como uma bola de golfe comparada a bola de Pilates. Ele também apresenta duas cargas positivas, agarrando as cargas negativas do coloide em ambos dos seus lados. Entretanto, ao invés de afastar as lâminas das argilas, o Magnésio elevado comprime (agrega) o solo, então é como ter sapatos de plataforma (N.T. – solado bem grosso) para trabalhar no barro. Esses solos não respiram adequadamente. Na verdade, eles são geralmente chamados de “Solos de Domingo “. Você os prepara no sábado e planta no domingo, porque na segunda já vão estar fechados e praticamente impenetráveis de novo.
Você pode muito bem então perguntar: “Porque, então, se preocupar com o Magnésio, se o Cálcio é a chave para abrir e fazer o solo respirar?”. Eu entendo o seu pensamento. O fato é que você não pode ignorar o Magnésio, porque ele é a peça fundamental de um outro fator que você também precisa manejar na sua propriedade. Você está manejando a Troca Gasosa, mas você também está manejando também a Clorofila, que são pigmentos abrigados nas pequenas fábricas de açúcar, chamadas de Cloroplastos. O Magnésio é o centro daquela molécula, e, portanto, não pode jamais ser ignorado.
Acontece que existe uma relação ideal entre Cálcio e Magnésio, baseado no teor de argila do seu solo. Essa relação assegura que exista sempre suficiente magnésio para prover a Clorofila, enquanto proporciona Cálcio suficiente para permitir que o solo respire. Um solo arenoso leve pode precisar três partes de Cálcio para uma parte de Magnésio (uma relação de 3:1). Essa relação mais estreita é porque precisamos um magnésio extra para fornecer um pouco mais de estrutura para um solo que não tem nenhuma.
Por outro lado, um solo muito argiloso poderá precisar de uma relação 7:1, porque mais Cálcio é necessário para abrir toda aquela argila. O seu solo estará entre aqueles dois extremos e uma boa análise de solo (NTS Soil Therapy) irá dizer a relação ideal de Ca/Mg relevante para o seu talhão.
Cálcio e Magnésio tem uma relação única, onde um pode desalojar o outro dos coloides do solo, onde ambos estão armazenados. As porcentagens da Saturação de Bases das análises do seu solo refletem o armazenamento relativo dos cátions chave (bases ) nos coloides do solo. Isso acontece na base de um para um, até que o equilíbrio seja alcançado. Então ele diminui consideravelmente. É quase como se esse equilíbrio desejável fosse uma lei natural e a mensagem “nós chegamos lá, colega “acabe se espalhando quando o equilíbrio ótimo for alcançado. Por exemplo, se você tiver 58% de Cálcio na Saturação de Bases (quando você precisa 68%) e a saturação de Magnésio foi 22% (quando você precisa de apenas 12%). Isso vai levar cerca de 12 meses. E então você irá atingir a relação perfeita entre Cálcio e Magnésio.
A relação Cal/Mag e a necessidade de Nitrogênio
Um solo com Magnésio elevado e que esteja lutando para respirar, irá sempre necessitar de mais nitrogênio para atingir o mesmo resultado. Na verdade, ele poderá precisar de 50% mais N para produzir a mesma colheita. Existe um quarteto de coisas em jogo aqui;
- Bactérias fixadoras de nitrogênio tem um apetite especial pelo oxigênio. Na verdade, o Azotobacter são uma das criaturas mais aeróbicas do planeta.
- A ciclagem de Nitrogênio diminui consideravelmente em um solo, compactado e fechado porque algumas das criaturas mineralizadoras de nitrogênio lutam para sobreviver nesses tipos de solo. Nematoides benéficos, por exemplo, tem uma relação Carbono: Nitrogênio de 100:1. Eles estão geneticamente projetados para manter essa relação. Um nematoide desses, precisa consumir 20 bactérias com relação de 5:1 para satisfazer as suas necessidades de 100 unidades de carbono. Entretanto, eles somente precisam de 1 unidade de nitrogênio, então terão que se livrar de 19 unidades de N daquelas 20 bactérias consumidas, e as plantas então cantam de alegria a canção “ You are Beautifull “. Acontece que esses nematoides benéficos odeiam solos compactados e logo desaparecem e junto com eles a função de ciclagem de nitrogênio.
- O Magnésio elevado antagoniza a absorção de vários cátions por competição. Isso afeta diretamente o Nitrogênio Amoniacal.
- O excesso de Mg impacta a disponibilidade de Cálcio o que afeta a produção de pelos absorventes. Esse aspecto prejudica a absorção de nitrogênio.
Esperamos que você comece a reconhecer que melhorar a sua relação Cal/Mag pode ser uma boa estratégia.
Comparação: Estrutura do Solo Floculado versus dispersado
Dinâmica Cal/Mag
- A primeira coisa a ser entendida é que você não precisa alcançar a relação ideal para começar usufruir dos benefícios. Você pode ter solos argilosos pesados onde uma relação ideal seja de 7: 1, porém você tem uma relação de 1:1, com a agregação extrema que essa relação confere. O que nós podemos observar nesse cenário é um benefício mensurável em qualquer estágio da jornada. Caso você consiga custear apenas aumentar a relação para 2:1, você ainda será recompensado pelos seus esforços.
- A segunda consideração está relacionada com solos arenoso leves. Aqui, você esquece das relações na saturação de bases totalmente. Se a CTC for abaixo de 5, você simplesmente se concentra em ter 500 ppm de Cálcio e 120 ppm de ambos Magnésio e Potássio. Isso é o que funciona!
- A próxima consideração está relacionada a como você pode conduzir uma relação ruim. Aqui estão algumas orientações:
Gesso Agrícola é Sulfato de Cálcio. No solo, esses dois minerais ionizam (se separam um do outro) e novos sulfatos são formados, o sulfato de magnésio e o sulfato de sódio. Acontece que essas são as duas formas mais lixiviáveis desses dois minerais. Daí então, o gesso ser frequentemente chamado de “desagregador de argilas “, porque tanto os excessos de magnésio quanto o de sódio contribuam para aumentar o esforço do solo para respirar.
Entretanto, existem problemas, se o gesso for usado em demasia, devido ao seu potencial para a remoção de mais doque seja necessário. Nesse caso o Gesso poderá servir para, inadvertidamente, desmineralizar o seu solo, caso seja mal utilizado. O excesso de sulfato poderá também impactar a absorção e a disponibilidade de outro mineral importante, o Fósforo. Esse é um preço elevado a ser pago, e esse é o motivo de tentarmos manter a relação de 1:1 entre fósforo e enxofre.
A regra pratica é nunca aplicar mais de 2,5 tons /ha por ano em uma simples aplicação.
Uma combinação de Gesso e Calcário é frequentemente a melhor forma de se melhorar a relação Cal/Mag. O Gesso remove parte do Magnésio em excesso, e o calcário (com o dobro da quantidade de Cálcio contida no gesso) serve para desalojar o Magnésio dos coloides argilosos do Solo, para completar o serviço. Isso está relacionado ao fenômeno mencionado anteriormente, onde o Cálcio pode desalojar o Magnésio na base de um para um, i.e., se você aumentar o Cálcio na Saturação de Bases em 10% com calcário, após 12 meses irá notar uma remoção de 10% de Magnésio das reservas argilosas de armazenamento.
Se não for possível aplicar quantidades apropriadas de qualquer um desses corretivos, então existe uma opção bem menos dispendiosa. Nesse caso, você pode ferti-irrigar, ou injetar, versões micronizadas liquidas de gesso e calcário diretamente na zona radicular. Essa é uma grande estratégia para impactar com essa ação onde ela é realmente necessária. Isso é o que tornou o nosso produto Gyp-Life o quarto produto mais vendido pelo mundo.
A Ligação Biológica para um solo que respire
O melhoramento da troca gasosa poderá envolver mais doque a tão importante relação Cal/Mag. Vamos agora olhar como a biologia poderá ajudar. As criaturas chave aqui são os fungos benéficos. Eles criam os agregados maiores que são a base para estrutura grumosa do solo, a condição mais desejável de todas as condições do solo. Entretanto, nós nunca podemos dar como certo que essa força de trabalho está preparada para atuar nos nossos solos, porque a maioria desses solos não contém a necessária quantidade desses fungos. O Microbiometer (www.microbiometer.com) mede a relação Fungo: Bactéria, e lhe dará uma indicação do status dos fungos no seu solo. Na maioria dos casos você irá verificar que vai precisar seriamente de fungos. Eles não gostam de aração, fungicidas, nematicidas ou herbicidas, de forma que eles estão em desvantagem e na defensiva na maioria dos solos. A próxima pergunta então seria, “ como eu posso melhorar a minha relação Fungo: Bactéria? “

Uma das estratégias mais eficientes envolve introduzir mais leguminosas, em pastagens, abaixo das lavouras de cereais, e nos mix de plantas de cobertura. Leguminosas produzem exsudatos ácidos, que criam o habitat com baixo pH preferido para a proliferação dos fungos.
E aqui está uma mensagem bem importante que ainda não é entendida entre os consultores e agricultores. Você precisar checar as suas leguminosas para nodulação e sobretudo você precisa se certificar estão vermelhos no seu interior. Mais da metade das lavouras que você anda, contém leguminosas sem nódulos ou nódulos sem sangue (leg-hemoglobina). Existe um preço gigantesco a ser pago por isso. Porque a sua leguminosa se torna mais um ônus do que um bônus nesse momento. Deixe me explicar.
A falta de nódulos é comumente relacionada a falta de enxofre, embora zinco e ferro possam também desempenhar um papel. A maioria dos solos são deficientes em enxofre, porque não mais colhemos sulfato de forma gratuita das emissões industriais sulfatadas, e porque perdemos a maioria do humus, que é o maior deposito de enxofre do solo.
O pigmento vermelho dentro do nódulo indica se aquela planta está ou não fixando nitrogênio. Essa substância é apropriadamente chamada de leg-hemoglobina e é, com efeito, o sangue que determina a maioria das características benéficas das leguminosas. Se os seus nódulos estão anêmicos e com coloração cinza, você não está acessando o que eu chamado de, “presente grátis” – as 74.000 toneladas de nitrogênio pairando sobre cada hectare.
Entretanto, existe um outro efeito negativo. Suas leguminosas também não estão criando os exsudatos ácidos que quebram as ligações entre o cálcio e o fosforo nos solos. Esse é um papel gigantesco das leguminosas e é muito importante para a safra de cereais sobre os trevos ou para as gramíneas e cereais nas pastagens e nas plantas de cobertura. Cálcio e Fósforo são os dois minerais mais importantes para o processo mais importante de todos os processos vegetais, a Fotosíntese. Esse é um aspecto muito sério quando as leguminosas perdem esse efeito secundário de quebrar as ligações entre o Cálcio e o Fósforo amarrados.
Talvez eu tenha explicado melhor o porquê da planta liberar exsudatos ácidos benéficos. Isso está relacionado com a fixação de nitrogênio amoniacal dentro dos nódulos. Quando a planta absorve um cátion, como nitrogênio amoniacal, ela precisa liberar um outro cátion, para manter um equilíbrio elétrico interno. Não faria sentido algum a planta absorver um cátion necessário para a sua nutrição e liberar outro mineral também necessário a sua nutrição, então a planta libera um outro cátion não nutricional chamado hidrogênio. Hidrogênio é o elemento ácido que determina o pH baixo do solo, porém aqui ele está relacionado aos exsudatos ácidos. Se você não está fixando nitrogênio e estimulando essa liberação de hidrogênio, será incapaz de liberar Cálcio e Fósforo fixados (amarrados), com esses exsudatos ácidos. Porém, o mais importante, você não estará criando as condições ácidas para abrigar os fungos.
Então, nós determinamos as condições do que é extremamente importante para termos sangue dentro dos nódulos, então por que eles estão faltando com tanta frequência?
Isso retorna a um elemento mineral traço negligenciado chamado Molibdênio (N.T. – O que demonstra que a academia carece de uma classificação melhor do que a simples definição de “essencialidade” para os minerais sem, contudo, levar em conta a sua importância num contexto geral). O Molibdênio está faltando em 8 de cada 10 solos por nós testados, e é requerido pela enzima nitrogenase que cataliza a conversão do nitrogênio atmosférico em nitrogênio amoniacal no solo. Pequenas quantidades são requeridas e a sua falta podem ser bem supridas pelos tratamentos de semente, injeções liquidas e pulverizações foliares de molibdato de sódio ou fertilizantes foliares líquidos.
O segundo suspeito da condição de nódulos anêmicos (sem sangue) seria o Boro, mas o Enxofre também pode desempenhar um papel nesse aspecto. Molibdênio, boro e enxofre estão em falta na maioria dos solos (N.T.- No Brasil o Cobalto também despenharia um papel importante) , então não existe surpresa alguma que as nossas leguminosas estão comprometidas. Um foliar corretivo simples poderá incluir com 1 kg de Solubor (Octaborato de Sódio), 50 gramas de Molibdato de Sódio e 4 kg de Sulfato de Amônio por hectare.
Como mencionado, o maior reflexo dessa falta de leg-hemoglobina e a sua associada falta de exsudatos ácidos, é o impacto nos fungos benéficos de solo e na sua criação de agregados de solo. Nessa “Casa que Jack construiu” particular (edáfica), a escassez de enxofre limita o desenvolvimento de nódulos e a falta de molibdênio impede que o sangue, que cria os exsudatos ácidos, que alimentam os fungos, que solubilizam o Cálcio e o Fósforo, e que vivem na casa que Jack construiu. Esse é um apelido muito estranho para Deus, mas você captou a mensagem. A essência na Agricultura Nutricional é trabalhar com a Natureza- o projeto perfeito (divino), para entender essas inter-relações e para aumentar a sua rentabilidade.
O papel dos humatos e microbiologia benéfica
Humatos (Substâncias Húmicas) são uma outra estratégia para aumentar os fungos, agregar o seu solo e para aumentar a troca gasosa. Ácido húmico, em particular oferece benefícios em vários níveis. Ácido húmico é o estimulante mais importante para os fungos tão importantes e ele também tampona os impactos negativos do sódio, que podem acumular em um solo agregado e compactado. Ácido húmico também foi demonstrado ser o condicionador de solos que pode melhorar seriamente a estrutura do solo com sua associada troca gasosa. É importante selecionar um produto derivado da Leonardita ao invés de Lignito (ou turfa). Nosso produto, NTS Soluble Humates Granules é o melhor desses produtos na Australia, porém, é claro, eu sou um pouco suspeito.
Anaeróbicos benéficos tipo E.M., ou o nosso produto B.A.M., podem ser vistos quase como espécies pioneiras em solos pesados com uma relação Cal/Mag ruim. Esses solos se esforçam para respirar, e dessa forma, um consórcio de organismos benéficos que consigam se manter sem oxigênio, podem abrir caminho, em termos de melhorias microbiológicas, para a melhoria da estrutura do solo. BAM pode ser facilmente fermentado na propriedade para fazer um condicionador de solos com um custo super reduzido.
Em conclusão …
Os presentes concedidos pela criação de um solo vivo, respirando, incluem ambos a resiliência e a infiltração aumentada. Essas são duas das qualidades isoladas mais desejáveis que determinam tanto a produtividade quanto a alegria de se praticar a agricultura. A relação Calcio: Magnésio é a conexão mineral para a criação desse resultado. A relação Fungo :Bactéria monitora a relevante contribuição microbiológica e os Humatos evidenciam a conexão do Humus. Isso tudo esclarece ainda mais as relações entre minerais, microbiologia e humus no cenário da Nutrition Farming (Agricultura Biológica Nutricional).
Desejando a todos vocês um Outono com alguma umidade e um solo que respire para desencadear um bom Inverno.
Saudações
Graeme Sait





Excelente texto.
Muito obrigado Otávio,
Porém quem merece realmente os parabéns é o Graeme Sait meu amigo de longa data.
Aqui nesse pais de mentes pequenas não temos pensadores a altura dele.
Aqui no Brasil, todo mundo está interessado em obter diplomas e títulos e não em aprender.
Parabéns a vc que demonstrou ter entendido o texto. Coisa rara por aqui