A Sequência Bioquímica

@ by Hugh Lovel

Existe uma hierarquia ou “sequência bioquímica” sobre o que precisa
funcionar primeiro antes que o próximo constituinte e o seu outro sucessor
possam funcionar.
Isso é baseado sobre como a biologia do solo e da planta funcionam, porém
são os elementos químicos quem a suporta e constituem a sua base. Os
elementos do início dessa sequência precisam estar presentes e trabalhando
adequadamente bem antes que os elementos que entram mais tardiamente
tenham alguma chance de serem úteis para o crescimento vegetal. Nitrogênio,
Fósforo e Potássio ocorrem mais tarde na sequência bioquímica, enquanto que
Enxofre, Boro, Silício e Cálcio iniciam as coisas.

  1. ENXOFRE – O Enxofre interage com a química da vida (compostos
    contendo carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio) pelas superfícies.
    Junto com o Calor, é o principal catalizador na bioquímica. Uma vez que
    tudo o que se passa na biologia do solo acontece nas superfícies das
    partículas de solo onde os minerais reagem com a água, ar e calor, a
    ativação do Enxofre nas superfícies é a “ chave na ignição” essencial
    para iniciar uma bioquímica do solo robusta. Em seu Agriculture ,
    Rudolf Steiner fala de como “a atividade espiritual do Universo trabalha
    como um escultor, umedecendo os seus dedos com enxofre …
    “ ( 1 )
    Junto com o Calor, Enxofre é o catalizador clássico da Química do
    Carbono. Ele trabalha nas superfícies, fronteiras (divisas) e cantos das
    coisas para trazer organização e vida para aquele ser. Sem levar em
    consideração os demais elementos solúveis, o teste de enxofre solúvel
    deverá apresentar aproximadamente 50 ppm de S (Teste de Morgan*)
    para que a fertilidade de um solo biológico funcione adequadamente.
    Solos leves poderão precisar de um pouco menos e solos pesados um
    pouco mais. No teste Total (aonde são analisados todos os elementos na
    sua forma total e não somente na forma solúvel) uma relação de
    Carbono : Enxofre de 60 :1 ajuda a assegurar que o solo contém reservas
    suficientes de Enxofre.
    O Silício forma a base para a ação de capilaridade que pega os
    nutrientes do solo. Felizmente, para a agricultura a atividade do silício
    desafia a gravidade. Porém, para fazer isso o Silício depende do Boro,
    um componente da argila. Na sua segunda aula Steiner, de forma como a argila é descrita
    perspicaz, afirma: “primeiro nós precisamos saber o que está
    acontecendo realmente. Não importando a forma
    de como a argila é descrita, temos que trata-la para que se torne fértil, tudo isso é de importância secundária. A coisa mais importante que devemos saber é que é a argila quem promove o fluxo ascendente do fator cósmico”
  1. BORO – é esse componente da argila do solo que é o pedal do
    acelerador da agricultura, enquanto o Silício forma as “autoestradas” que
    carreiam os nutrientes através das plantas e dos animais. O boro interage
    com o silício nas superfícies dos vasos transportadores e estimula o fluxo
    de nutrientes pelas autoestradas do silício. Isso coloca o Boro como o
    primeiro na lista na Sequência Bioquímica, e se o boro ou o silício
    estiverem em deficiência, a biologia do solo irá funcionar abaixo do seu
    potencial. Com a deficiência de boro ou de silício, mas especialmente de
    ambos, as lavouras irão murchar ao invés de crescer em dias quentes.
    Ironicamente, as duas formas mais eficientes de criar deficiência de boro
    e silício são:
    A. Cultivo no limpo
    B. Uso de fertilizantes artificiais de nitrogênio
    Embora esse seja o padrão na agricultura moderna, essas práticas
    tornam o Boro e o silício disponíveis pela morte da biologia do solo
    que mantém os complexos de argila/humus. Isso libera um fluxo de
    boro e silício que podem facilmente se perder em qualquer dreno que
    houver no ambiente.
  2. SILÍCIO – Claro que a pressão de seiva não teria nenhum valor sem um
    sistema de transporte que a contivesse, e o Silício proporciona o
    transporte real dos nutrientes. Interessantemente, a aplicação de excesso
    de boro muito cedo no ciclo de uma planta é notadamente conhecida por
    queimar seedlings e mudas novas recém transplantadas de produtos tais
    como abóbora em brotação, feijão ou tomates, porque muita pressão de
    seiva em plantas tão pequenas, expulsa o sódio para a margem da folha.
    Não obstante, em plantas aonde os vasos condutores são altamente
    ramificados, como ervilhas, feijões, abóbora e tomates, o boro é
    importante num estágio mais adiantado, para manter uma pressão de
    seiva suficientemente forte para fazer um sistema tão complexo funcionar.
    Por outro lado, plantas cuja constituição tenham uma presença maior do
    Silício, como gramíneas, conseguem se sair bem com menos Boro para
    lhes conferir suficiente pressão de seiva uma vez que os seus vasos
    condutores correm em paralelo sem ramificação. É como linhas de
    irrigação que alimentam um único aspersor. Tal coisa não exige muita
    pressão.
    Obviamente, sem um sistema de transporte robusto, uma certa
    quantidade de nutrientes suficientes para as folhas e para serem
    armazenados nos frutos não é alcançada, nem de perto.
    A agricultura química contorna esse problema de um certo modo, porque
    até com um sistema fraco de transporte, qualquer coisa que é altamentsolúvel, como nitrato de potássio, é simplesmente absorvido junto com aquimicamente tenham uma estrutura celular aquosa, grosseira, assimcomo baixa densidade nutricional e vida de prateleira mais curta.Entretanto, sem um sistema de transporte de nutrientes robusto,nutrientes menos solúveis como Cálcio, Magnésio e complexos deCarboidratos-Amino ácidos podem facilmente serem deixados para traz.
  1. CÁLCIO – que vem a seguir na Sequência Bioquímica, é o caminhão que
    trafega na Autoestrada. Junto com o Magnésio, Potássio e Sódio, o
    Cálcio forma o complexo básico/alcalino que domina o lado reativo da
    química da vida.
    Aonde o Silício, junto com o Carbono, forma a autoestrada fracamente
    reativa, o Cálcio junto com o Oxigênio, formam a carga (mercadoria)
    fortemente reativa que circula ao longo do sistema de transportador e
    contentor do Silício. Calcio e o complexo básico-alcalino é a última coisa
    que você irá querer deixar para traz, devido ao seu papel na fixação de
    nitrogênio e na química dos aminos ácidos. O Cálcio equilibra as cargas
    nas proteínas, e é particularmente importante na divisão celular, que é a
    primeira coisa que acontece na formação dos frutos e das sementes após
    a polinização. Sem ele não existiria nenhum fruto ou semente. Ele coleta
    e carrega com ele os demais nutrientes que vem a seguir na Sequência
    Bioquímica.
    Com a polaridade oposta, na química da planta, ao liberal e generoso
    Silício, o Cálcio é faminto e até mesmo ganancioso. Isso é porque ele
    precisa do indiferente Silício para alinhar o transporte do sistema. E
    acima de tudo, é o Cálcio quem envolve o Nitrogênio para fazer os
    aminos ácidos, a base do DNA, RNA e proteínas. Por sua vez, esses
    compostos nitrogenados são os responsáveis pela química do complexo
    enzimático e hormonal da vida, que emprega tudo desde o Enxofre e
    Silício até o Magnésio, Ferro, Fósforo, Zinco, Manganês, Cobre e outros
    elementos-traço. Provavelmente, o ponto mais importante é, o Nitrogênio
    fornece as amino-ácidos na clorofila, que é a chave para a fotossíntese,
    um meio muito eficiente para capturar a energia.
    Por exemplo, tomemos o milho, ou Zea mais, se o Cálcio não chegar ao
    grão em quantidades suficientes, a espiga na parte de cima simplesmente
    não irá encher. Com uma lavoura como soja, Glycine max, o dobro ou até
    mesmo o triplo do Cálcio usado no milho, são necessários para encher os
    cachos sem que haja abortamento de cachos, que é um problema comum
    em soja. Você não gostaria de ver as espigas do seus milhos serem
    preenchidas até o topo e que cada flor de soja produza um cacho cheio
    de sementes? Isso somente acontece quando o complexo básico-alcalino
    boro, silício e cálcio trabalham bem e em conjunto.
  2. NITROGÊNIO – Como já mencionado, aonde o Cálcio vai, também vai o
    Nitrogênio. E o Nitrogênio é a base da formação dos amino ácidos, a
    química das proteínas e a replicação e expressão do DNA. Quando o
    Nitrogênio entra em cena, todo tipo de proteínas, enzimas e hormônios
    são produzidos e coisas muito complexas são colocadas em movimento
    envolvendo elementos-traço.
    Infelizmente, fertilizantes nitrogenados solúveis apenas estimulam essa
    parte mais adiantada da sequência sem atender as demandas prioritárias
    e iniciais do Enxofre, Boro, Silício e Cálcio. Tais fertilizantes estimulam o
    crescimento vegetal, porém são como metanfetaminas. Eles constroem
    lavouras fracas que tem que ser cultivadas em condições de alta pressão
    de mato e são presas fáceis de insetos e doenças.
    Todas as partes da química das proteínas de plantas requerem amino
    ácidos nitrogenados. O nitrogênio aborda a divisão entre o quimicamente
    indiferente Silício e as grandes quantidades de amino ácidos de cálcio
    vão para a formação de clorofila onde a energia é reunida. Afinal de
    contas, coletar e sequestrar energia é essencial a vida. Sem fotossíntese
    as plantas jamais irão crescer. Isso é onde o Magnésio, o Fósforo e o
    Potássio e uma ampla gama de micronutrientes seguem o nitrogêniona
    Sequência Bioquímica.
  3. MAGNÉSIO – Uma vez que a fotossíntese requer nitrogênio, ele é o
    quinto na sequência, á frente da maioria dos minerais-traço menores.
    Obviamente, a fotossíntese não é apenas simplesmente uma questão de
    clorofila capturando energia. A energia precisa ser transferida da clorofila
    para o silício para que açucares sejam produzidos a partir do CO2 e da
    água, o que requer fósforo para a transferência de energia. Senão a
    clorofila se “queima” e, as folhas , ficam com cor de vinho tinto.
    Entretanto, enquanto tiver fósforo suficiente, o Carbono se liberta do
    CO2 para que possa se combinar com a agua para fazer açucares e
    liberar oxigênio.
  4. FÓSFORO – Obviamente, a fotossíntese não é simplesmente um
    processo para capturar a energia. A energia precisa ser transferida para a
    produção de açucares a partir de CO2 e agua , o que requer fósforo para
    a transferência de energia. Do contrário a clorofila se “queima” e as folhas
    adquirem uma tonalidade de vinho tinto.
  5. CARBONO – Enquanto tiver fósforo suficiente, carbono estará envolvido
    com CO2 e a transferência de energia da clorofila via fósforo para
    combinar CO2 com a agua e fazer açucares para liberar oxigênio.
  6. POTÁSSIO – Nesse estágio os açucares passam a seiva da planta onde
    o Potássio, o eletrólito, os guia para onde precisam ir.

Sim, Super simplificado

Compreensivelmente, essa sequência está super simplificada. Por exemplo,
o Enxofre é deixado de fora do diagrama ainda que seja o catalizador
clássico da química do carbono (orgânica). Sem ele nada, nem mesmo o
Boro, daria origem a vida. Também, o Potássio tem uma relação muito
próxima com o Silício, então quando o Silício fornece Cálcio e Aminoácidos
para a divisão celular num estágio inicial de desenvolvimento dos frutos,
após a polinização, o potássio desempenha um papel chave como uma
porteira eletrônica que permitem que o Cálcio e os Aminoácidos entrem nas
células que estão se preparando para dividir. Se o clima frio diminuir a fluxo
do potássio, ou se ele estiver em níveis baixos, então tanto o Cálcio quanto
os aminoácidos não poderão chegar ao núcleo das células, o DNA não
poderá se dividir, e a divisão celular, então, falha e as frutas jovens começam
a cair ao invés de se desenvolverem. Algumas vezes safras inteiras são
perdidas para uma geada quando uma leve pulverização de Kelp, Potássio **
e Silício e a preparação biodinâmica 506 de Dente de Leão, conseguiriam
salvar o dia.
Suplementação com Minerais e Pós de Rocha

Ainda que a Agricultura Quântica seja principalmente sobre atividades
biológicas e organizacionais, a mineralização do solo precisa ser
considerada. Como alguém organiza alguma coisa se ela não estiver lá?
Vários solos precisam de Gesso ou Enxofre elementar porque existe uma
deficiência em ambos os testes, total e solúvel. Vários solos precisam de pós
de rocha, também uma fonte de boro. Isso é verdadeiro se uma fertilização
nitrogenada no passado lavou todo o boro e o silício que existia lá.
Deficiências de Boro e Silício ocorrem com o pastoreio que vai além da conta
(overgrazing) ou cultivo no limpo. A disponibilidade de Silício precisa ser
promovida para fazer a biologia do solo aumentar e se recuperar para que
mais silício seja disponibilizado das superfícies das partículas de solo. A
biologia do Silício do solo é facilmente diminuída com a fertilização com
nitrogênio, com o pastoreio excessivo e com o cultivo no limpo.
Devido a falta de experiência e entendimento, vários produtores
“orgânicos” usam esterco frescos, entre os quais o de galinha é o pior, como
uma fonte de nitrogênio. Essa prática rapidamente esgota o Enxofre, o Boro
e o Silício. O remédio para isso seria o composto feito com a adição de cerca
de 10% ou menos de pós de rocha com alto teor de Silício junto com um pouco de
gesso e compostar completamente com solo até que ele se
pareça e tenha o mesmo cheiro de solo.
Além do Gesso e do Pó de Rochas com elevado teor de Silício, o Calcário
também pode ser usado para fornecer cálcio ( N.T. – Eu recomendaria CaO
ao invés de CaCO3 para não interferir no processo fermentativo da
compostagem). Dolomita também pode ser usada se houver necessidade de

magnésio. Fosfato de rocha também fornece também Silício, Calcio e
Fósforo. Também existem depósitos naturais de Sulfato de Potássio. Pós de
Rocha também tendem a fornecer uma variedade de minerais traço. Para
solos com pH elevado com grandes excessos de Sódio e Potássio, o
remédio para solos secos pode ser aumentar a CTC do solo com humatos e
zeolita para tamponar o pH e construir mais armazenamento.
Qual é o objetivo?
O mais importante, a Sequência Bioquímica nos mostra que precisamos
começar com o Enxofre para expor as superfícies das partículas de solo à
atividade biológica para que as reservas sejam disponibilizadas. Outros
métodos poderão não reconhecer a importância chave do Enxofre, porém na
Agricultura Quântica isso deve ficar bem claro. E onde o orçamento é
limitado e a fertilidade do solo a longo prazo é desejada, Boro, Silício, e
Cálcio deverão seguir o Enxofre em importância.
Infelizmente, se estivermos manejando para a nutrição, a saúde e a
vitalidade bioquímica do solo a longo prazo, nós precisamos estar cientes
que fertilizantes solúveis de NPK são comumente utilizados pela sua
habilidade de disfarçar deficiências de enxofre, boro, silício e cálcio.
Reservas amplas de nitrogênio, assim como de fósforo e potássio estão
geralmente presentes, mesmo que inativas, nas superfícies das partículas de
solo aonde a organização da química da vida surge. Somente quando a
bioquímica do enxofre, boro, silício e cálcio estiver em pleno
desenvolvimento e prosperando é que iremos compreender o potencial
dessas reservas.
Isso tudo nos remete de volta a lei do Mínimo de Liebig que diz que as
plantas só poderão desempenhar tão bem quanto o nível do seu nutriente
mais deficiente.

Tradução – José Luiz M Garcia – Instituto de Agricultura Biológica

* Teste de Morgan – disponível na LaMotte Company

** Hoje em dia já existe o Formiato de Potássio que executa um serviço bem melhor por baixar o ponto de congelamento da seiva.

  1. Agriculture, Rudolf Steiner, Creeger-Gardner translation, pg 31.

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