A Revolução Biogeoquímica

 O fim da utilização do calcário como corretivo da acidez do solo

     O livro do Dr. Edgar Quero Gutierrez, cientista de fronteira, com sólida formação acadêmica de dar inveja a muito doutor sanduicheiro da Embrapa, nos deu a chance de conhecer o seu gigantesco trabalho a respeito dos efeitos do Silício não só na planta, mas também e sobretudo, no solo.

      E com isso tornou possível que chegássemos a conclusão óbvia de que os minerais silicáticos fazem o mesmo que o calcário, porém de forma superior e bem melhor sendo, portanto, um “super calcário”, por assim dizer.

       Senão vejamos, os materiais silicáticos como por exemplo a Wollastonita e o Silicato de precipitação marinha metamórfico, elevam o pH do solo, e ao fazer isso proporcionam as condições para que as plantas absorvam melhor todos os demais nutrientes do solo. Aliás, esse sempre foi o argumento da indústria de calcário para vende-los ao agricultor e não os efeitos do Cálcio na nutrição vegetal.

      Além disso, os silicatados ou silicáticos fazem a mesma coisa, porém sem gerar emissões de CO2 tão desnecessárias nos dias de hoje, sem entrarmos no mérito dessa discussão. Como é do vosso conhecimento, cada molécula de CaCO3 que reage com a acidez do solo e se transforma em CaO , libera uma molécula de CO2. Se isso é relevante ou não também não é o objetivo desse texto. Organismos Internacionais como as Nações Unidas já contemplam programas doação de Wollastonita aos agricultores do Canadá. Isso é um fato. Também não estou me referindo a agricultores que respeitam a micro vida do solo adicionando até 2 tons de calcário/há. Me refiro sim aos verdadeiros “morons” que aplicam 20 toneladas de calcário por hectare. Sim senhores, existem pessoas que ainda acreditam que “mais” é sinônimo de “melhor”. Essas aplicações de calcário maciças destoem por completo a delicada vida do solo.

      Continuando, a maioria dos agricultores realizam análises de solo exatamente para determinar a necessidade de calcário no solo e aplicam calcário de acordo com as mesmas utilizando fórmulas químicas e estequiométricas, como se o solo fosse uma bancada de laboratório. Mas se realizassem outra análise química de solo logo após a chamada “ calcariação “iriam verificar com certeza, o decréscimo nos seus níveis de Fósforo disponíveis. Obrigando-os a usar níveis maiores de fósforo, e com isso, aumentando os custos de produção.

      Além do mais é de se esperar também uma redução significativa na disponibilidade de micronutrientes, os quais deverão também ser fixados.

      É de conhecimento geral, que o Silício aumenta a disponibilidade de Fósforo de 40 a 60% de acordo com Edgar Quero Gutierrez (1). Além disso, aumenta a capacidade de retenção de umidade do solo pelo efeito de reestruturação que o mesmo efetua.

      Entretanto, existem mais outros 13 benefícios que o Silício executa no solo e na planta ao ser usado, criando uma verdadeira Revolução Biogeoquímica e elevando-o a uma nova categoria de fertilizante/condicionador/protetor que eu denominei de EQUALIZADOR BIOGEOQUÍMICO.

      Que outro mineral vocês conhecem que consegue executar todas essas tarefas ao mesmo tempo no solo e na planta? A saber:

  1. Eleva o pH do solo
  2. Neutraliza o Alumínio tóxico bem melhor doque a calagem e neutraliza minerais pesados.
  3. Aumenta a disponibilidade do Fósforo entre 40 a 60%.
  4. Elimina a emissão de CO2 provocada pela adição de calcário.
  5. Aumenta a colonização e melhora o ambiente para o desenvolvimento de Fungos Micorrizicos, cianobactérias, bactérias e líquens.
  6. Aumenta a produtividade de inúmeras culturas comprovadamente.
  7. Restaura o solo degradado devido a séculos de sonegação silícica.
  8. Aumenta a resistência do solo contra a erosão, restaura a estrutura do solo e aumenta a capacidade de retenção de água diminuindo a necessidade de irrigação.
  9. Aumenta o desenvolvimento radicular em até 200% aumentando a absorção em 8X.
  10. Aumenta a resistência das plantas à seca e a outros estresses abióticos como calor e frio.
  11. Reduz a lixiviação de P, N e K.
  12. Aumenta a resistência da planta à salinidade.
  13. Protege as plantas contra o ataque de bactérias, fungos e insetos.
  14. Restaura áreas contaminadas por metais pesados.
  15. Tem ação sinérgica com o Ca, Mg, Fe, Zn e Moli.
  16. Melhora a vida de pós-colheita de frutas e hortaliças.
  17. Parte integrante dos fitólitos e tricomas.

      Como um poderoso Equalizador, o Silício servirá de base a realização de uma verdadeira Revolução Biogeoquímica.

      Fico imaginando quando poderemos colocar os MPAs ( Materiais Primários Amorfos silicatados) em contato com fontes de microrganismos que irão acelerar o processo de dissolução dessas mesmas fontes e com isso acelerar todo esse processo.

      É preciso que a engenhosidade humana trabalhe em prol da Agricultura e desse segmento relegado ao abandono científico por 180 anos. Micronizando materiais e depois agregando-os e, ao fazer isso, acrescentar moléculas orgânicas para assistir as fontes de Silício na solubilização e em tornar o ambiente mais favorável a colonização de toda uma gama de microrganismos que evoluíram junto com as plantas por 4,5 milhões de anos.

Referências

  1. Gutierrez, Edgar Quero (2024) Ciência de Frontera, Innovaciones tecnológicas a servicio de la Milpa, al servicio del campo, Secretaria de Agricultura y Desarrollo Rural (SADER), México, 444 pgs.
  2.  Garcia, J.L.M ( 2026) Silício – A Pedra Fundamental da Agricultura, http://www.institutodeagriculturabiologica.org , wordpress

                        J

                                  

1 comentário em “A Revolução Biogeoquímica”

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