Greening dos Citrus

Uma Nova Hipótese


Agente Patogênico ou mais outro Distúrbio Matabólico ?


Desde o seu aparecimento, que o Greening é descrito pela ”ciência “ agrícola como uma doença e, portanto, procura-se algum organismo “maléfico “ para ser culpado por esse problema tão grave.
Primeiro tentou-se culpar uma suposta bactéria, que seria transmitida por um
determinado inseto, o psilídeo, mas sem sucesso, pois essa suposta bactéria não
cumpria todos os postulados de Koch e, portanto e à rigor, não poderia ser rotulada
como doença propriamente dita.
Foi por esse motivo que a suposta bactéria foi , então, batizada de “Candidatus
Liberibacter asiaticus “ isso porque ao que se imagina originou-se na China, razão pela qual também é rotulada de Huang Long Bing ou HLB.

As asneiras, quando ditas em latim e por meio de siglas, se tornam mais palatáveis e aceitáveis ao indivíduo comum como também no meio acadêmico.
Rotular simplesmente um problema não contribui em nada para solucioná-lo.
Apenas evidencía a fragilidade científica, o fracasso e a falência total do sistema de pesquisa agrícola, a saber : Fundecitrus, Embrapa, IAC de Campinas, Instituto Biológico e Esalq, que supostamente são instituições boas e sérias e demais universidades sérias do país, vez que estamos testemunhando a Agronomia ser transformada em uma profissão de quinta categoria, em função do surgimento de inúmeros cursos, uns até à distância, com a cumplicidade do MEC, que os outorga a políticos interessados em lucro financeiro apenas.
Os primeiros questionamentos que poderíamos fazer são os seguintes : Se o Greening é uma doença causada por uma bactéria, de fato, seria então uma bactéria nova ?
Quantos milhares de anos leva um organismo para se desenvolver e mudar o seu
genoma ao ponto de se tornar patogênico ? Por outro lado, a quantos milhares de
anos existe o psilídeo ? E porque, só agora, ele está sendo responsabilizado pela
transmissão dessa suposta doença ?
Ocorre que, o Dr. Don Huber, Professor Emérito da Purdue University, o maior
estudioso dos efeitos maléficos do Glifosato, o qual eu conheço pessoalmente,
defende a idéia do greening poder ser causado por um distúrbio metabólico vegetal, que provoca a oclusão dos vasos do floema da planta, assim com em outras doenças como o Cancro bacteriano, Mal de Pierce, Galha da Coroa, as quais são favorecidas pela nutrição mineral equivocada e enviesada, preconizada pelas Universidades e focada basicamente em NPK, se esquecendo que Enxofre, Boro, Silício e Cálcio, são os elementos responsáveis pela construção da planta e de seus canais condutores de seiva, bem como pela pressão positiva da seiva e viscosidade da mesma, o que favorece o fluxo normal de nutrientes e água na planta e, principalmente nesse caso, o Manganês, quer pela quelação provocada pelo Glifosato e/ou pela sua oxidação no solo, por falta de microbiota específica , o que dificulta a sua absorção pela planta, ou como também pelo acúmulo de Amônia na seiva provocada pela foto-respiração, mas também pela falta de Fe, Zn, Cu, Co e Mo.
Segundo Huber, o Glifosato estaria contribuindo para causar esse desequilíbrio
metabólico, o que também contribuiria para atrair os insetos, notadamente o psilídeo.
Mas faço um alerta ! Antes de que pensem ser essa idéia um pouco ousada, é preciso que se pergunte (e perguntar não ofende) : Vocês sabem o que realmente o Glifosato causa às plantas e ao solo, ou simplesmente acreditam nas mentiras disseminadas pela NonSanto e pelos seus acadêmicos alugados e de plantão ? (15).
Ele exerce a sua toxicicidade a níveis de partes por bilhão. E isso já seria o suficiente para alterar o metabolismo da planta à ponto de tornar um organismo, antes fraco e tolerável, a patogênico e intolerável.
Ao Glifosato, foram outorgadas três patentes.
A primeira foi uma patente como desencrustante ( descaling ) concedida a Stauffer Chemical Co. em 1961, que depois a vendeu para a Monsanto, fato esse que essa empresa ardilosamente insiste em ocultar. Agentes desencrustantes são poderosos complexantes ( quelantes ) de metais como Cálcio e Magnésio, que se acumulam dentro de boillers e encanamentos de sistemas de aquecimento.
Os críticos citam esse fato como uma tentativa da Monsanto em esconder o aspecto quelatizante da molécula que pode quelar outros minerais além do Manganês, como Fe, Zn, Cu, Co e Mo e com isso prejudicar as plantas cultivadas.
De fato, uma tabela do poder quelatizante de diversas substâncias o coloca no mesmo nível quelatizante do EDTA.
A segunda patente foi a concedida a Monsanto como Herbicida depois que John Franz desvendou parcialmente as suas propriedades herbicidas em 1964, pelo bloqueio principalmente do Manganês na rota bioquímica do Shikimato ( US Patent 3799758 A ).
A terceira patente foi concedida como “ biocida “ a William Abraham e Monsanto
Technology LLC em 10/08/2010 ( US Patent 7771736 B2 ).
Em conversa com o microbiologista Dr. Robert Kramer, da Purdue University, esse me confirmou que em alguns estudos em seu laboratório, foi determinado que o Glifosato matava Trichoderma, Pseudomonas fluorescens e outros organismos benéficos do solo, enquanto não afeteva e, em alguns casos, até favorecia a atividade, de Fusarium solani e oxysporum, Rhizoctonia sp., etc… e também reduzia a síntese de diversas substâncias que conferem resistência as plantas como o salicilato e outros, pela interferência na síntese de triptofano, e também por ser ativamente exudado pelas raízes das plantas, afetando assim a micro vida do solo ( 8 ).
Recentemente, chegou-se a conclusão que o sêlo de alimentos “orgânicos ” deveriam ser abolidos simplesmente porque praticamente não existe mais nada na face da terra que possa ser definido como “ isento de resíduos de glifosato “ pelo fato dele estar presente no solo, na água e no ar.

Anualmente, milhões de toneladas de glifosato são jogadas no meio ambiente. Hoje em dia, existem resíduos de glifosato até no leite materno e em vinhos “orgânicos e biodinâmicos “.

Então, não me venham dizer que não existe resíduo de glifosato no seu pomar de laranja.

Planos de controle oficiais, que incluem leis draconianas, fracassaram completamente e o máximo que conseguem é retardar um pouco o avanço inexorável desse problema.
Diante de uma situação como essa é válido perguntarmos : O que esta acontecendo com a agricultura de uma maneira geral e com a Citricultura em particular ?
A Citricultura se assemelha a um paciente acometido de cancêr, com a diferença que uns tem até um bom grau de sucesso, como a imunoterapia. Porém, para aqueles que terão ainda que se submeter a Radioterapia e a Quimioterapia, os prognósticos não são dos melhores.
Dentro desse contexto pode ser altamente interessante usarmos a proposta de
Frank Dean, Lido Chem Inc. & Craig Ramsey, PhD.,USDA-APHIS, Reabilitation Of
Huang Long Bing ( Candidatus Liberibacter ) Infected Citrus Groves by Changes in
Cultural Practices and Tree Nutrient Acquisition , apresentada na AHSH, Annual
Conference de 2016, onde:

  • Lavouras estão sendo atacadas por doenças que não podem ser identificadas
  • A doença não pode ser controlada
  • Os frutos não ganham peso e nem amadurecem.
  • Colheitas menores e de baixa qualidade
  • A situação não parece correta ( ou seja as medidas que estão sendo adotadas não estão conseguindo controlar)
  • Os fertilizantes e pesticidas usados não estão ajudando.
  • Fortes evidências de falhas no metabolismo
  • Os sintomas se parecem com outros distúrbios metabólicos vegetais como em
    tomates que estavam enfrentando problemas de bacteriose com frutos
    deformados, e coloração variegada, onde os frutos não conseguiam sintetizar
    os pigmentos nos frutos, na metade do seu desenvolvimento.
  • Insetos na Natureza são conhecidos como “ coletores de Lixo “( 1, 7 )
  • Holisticamente é uma indicação de alguma coisa errada com o metabolismo:
    = Deficiência Nutricional
    = Desordem Metabólica
    As plantas tinham resistência natural a doenças que elas agora não conseguem mais controlar
  • Os sintomas dessas doenças são frequentemente aumentados pelo aumento
    da frequência na aplicação dos pesticidas
  • Pelo acúmulo de resíduos de pesticidas no solo.
  • Os pesticidas ( incluindo o Glifosato ) suprimem a síntese de compostos que
    são criticos para a saúde e o sistema de defesa do vegetal.
  • Os pesticidas provocam mudanças no eco-sistema microbiano do solo.
    HIPÓTESE
    As mudanças nas práticas culturais contribuiram para o problema
  • Da agricultura de alta utilização de mão-de-obra para a confiança demasiada no controle químico dos problemas ( doenças, pragas e ervas daninhas )
  • Da confiança nos químicos para a dependência dos químicos.
  • Boas práticas agrícolas abandonadas em favor de soluções mais rápidas.
  • Anos de uso irrestrito de pesticidas ( algumas lavouras são mais sensíveis do
    que outras )

Em um sentido mais amplo, as lavouras estão sofrendo de desordens metabólicas

  • Desordem metabólica é qualquer doença causada por uma reação química
    anormal na células do organismo vegetal, animal ou humano.
  • Quando o metabolismo da célula é suprimido, ele causa um acúmulo
    substâncias tóxicas no organismo, ou, uma deficiência de substâncias
    necessárias para o perfeito funcionamento do organismo. Qualquer uma das
    duas pode causar um problema sério no organismo.
     Glifosato bloqueia a síntese de amino ácidos essenciais.
  • Triptofano – esse AA é convertido em IAA, o hormônio do enraizamento, que é
    bloqueado na rota do Shikimato.
  • Fenilalanina – convertido a ácido Cinâmico (PAL), uma substância lignínica e
    antibiótico natural ( fitoalexina ). Precursor de flavonóides que formam
    pigmentos. Protege a planta a nível de ppb.
  • Tirosina – sintetizada a partir da fenilalanina, convertida a ácido hydroxy-
    cinamico ( fitoalexinas ) bloqueado pelo glifosato na rota do shikimato.
    Essa é a razão dos amino ácidos funcionarem tão bem. Hoje em dia, os amino ácidos na agricultura atingiram a categoria de panacéia e isso explica o mecanismo de ação que concedeu ao glifosato a patente como biocida porque ele bloqueia a síntese de amino ácidos essenciais que irão formar os antibióticos naturais.
    O problema do Glifosato não é apenas bloquear a rota do Shikimato que produz amino ácidos essenciais, o qual é um rota do metabolismo primário. Ele acaba interferindo no metabolismo secundário e terciário. Dessa maneira fenólicos, ácido salicílico, moléculas sinalizadoras ( PAL , TAL ), hormônios vegetais, fitoalexinas, também interfere na síntese de metil propanóides, pigmentos, antioxidantes, etc. A planta perde assim a sua capacidade de se defender natural e adequadamente.
    O pensamento convencional é de que o Greening dos Citrus é :
  • Causado por uma bactéria e
  • Vetorizada pelo Psilídeo
  • A infecção se estabelece e leva de 4 a 5 anos para exibir os sintomas
  • Sintomas não podem ser induzidos por injeção da bactéria (Postulado de Koch)
    A hipótese, portanto, é a de que o Greening é causado por uma compartimentalização e acúmulo de substâncias tóxicas, feitas ou adquiridas pela arvore, que dão a chance desse patógeno que era normalmente fraco causar uma doença que leva um longo tempo para se manifestar. Esse metabolismo desequilibrado, inclui a falta de substâncias-chave para a síntese de pigmentos e, faz com que a planta comece a se tornar amarela, o que irá atrair o psilídeo, como demonstrado pela Universidade da Flórida.
    • Tecido amarelo é atrativo para o psilídeo
    • Folhas ficam deformadas
    • Internódios ficam curtos
    • Flores ficam anormais
    • A planta tem dificuldade para resistir aos desafios
      A hipótese considera que o glifosato impede a síntese de várias substâncias-chave ao mesmo tempo em que bloqueia o acesso de vários minerais para a planta.

    • PROPOSTA
    • Eliminar o uso do glifosato ou reduzi-lo ao mínimo com as técnicas disponíveis atuais.
    • Bioremediar o solo, também usando várias práticas existentes que incluem a substituição de KCl que destrói a micro vida do solo por fertilizantes mais amigáveis. Entendendo que a Bioremediação é a única maneira de diminuir a concentração de glifosato no solo por meio das substâncias húmicas.
    • Aplicar foliarmente o que o Glifosato estaria bloqueando.
    • ( Nota minha ) Mudar o manejo dos fertilizantes do atual NPK , para a
      Sequência bioquímica da nutrição vegetal, que inclui todos os minerais.
      Essa proposta foi testada na Florida e conseguiu reverter a doença com o nascimento de folhas novas e livres da doença. Impediu a queda precoce dos frutos e o agricultor ficou muito satisfeito. No vídeo podemos ver pomares sãos ao lado de pomares decadentes, e afetados pela doença.
      O biofertilizante utilizado via solo, incluiu organismos fixadores de Nitrogênio, solubilizadores de Fósforo e outros organismos benéficos para o solo, junto com substâncias húmicas ( ácidos húmicos e fúlvicos ) e minerais.
      Pulverizações foliares com alguns metais que estavam sendo bloqueados. Esses micronutrientes foram calculados em função do coeficiente de dissociação dos mesmos com o quelatizante glifosato.
      Um produto foi usado para diminuir a quantidade de glifosato aplicada enquanto aumentava a sua eficiência, chamado Argosy. Aqui pode ser substituido por outros produtos e técnicas existentes no noso mercado.
      Reduziu-se os fertilizantes químicos e o manejo dos herbicidas, foram reduzido a menos de 50%.
      Existem testemunhos de produtores de laranja, na Florida, que estão muito satisfeitos com esse protocolo de contrôle de Greening.
  • O psilídeo é, de fato, atraído pela côr amarela como vários outros insetos.

As vezes a dificuldade faz com que pessoas não tomem as decisões corretas. A minha esperança é que esse protocolo consiga, de uma vez por todas, desmascarar
definitivamente o manejo alicerçado na famigerada tríade NPK, uma mentira que
perdura por mais de 180 anos e que os produtores de todo o mundo passem a
valorizar outros minerais e adotem a sequência bioquímica da Nutrição Vegetal.
Antes tarde do que nunca

José Luiz M Garcia
Agôsto de 2023

Literatura Recomendada e Citada

  1. Garcia, J.L.M. (2020 ) O papel dos Insetos na natureza, Blog do Instituto de
    Agricultura Biologica,
    https://institutodeagriculturabiologica.org/2020/12/31/o-papel-dos-insetos-
    na-natureza/
  2. Garcia, J.L.M. ( 2020 ) Nem só de minerais vivem as plantas, Blog do Instituto
    de Agricultura Biológica,
    https://institutodeagriculturabiologica.org/2020/03/02/nem-so-de-minerais-
    vivem-as-plantas/
  3. Garcia, J.L.M. ( 2022) O que define uma praga ?, Blog do Instituto de
    Agricultura Biológica,
    https://institutodeagriculturabiologica.org/2022/10/11/o-que-define-uma-
    praga/
  4. Garcia, J.L.M. ( 2018) ENXOFRE, Blog do Instituto de Agricultura Biológica,
    https://institutodeagriculturabiologica.org/2018/08/06/enxofre/
  5. Garcia, J.L.M. ( 2017 ) No more Glyphosate ! , Blog do Instituto de Agricultura
    Biológica, https://institutodeagriculturabiologica.org/2017/06/27/no-more-
    glyphosate/
  6. Garcia, J.L.M. ( 2017) GLIFOSATO, Blog do Instituto de Agricultura biológica,
    https://institutodeagriculturabiologica.org/2017/01/19/glifosato/
  7. Garcia, J.L.M. ( 2022) Agricultura Biológica, Técnicas Avançadas para o
    Agricultor Sustentável – Manual Prático , Editôra Garcia, Juiz de Fora, MG, 109
    pgs.
  8. Kramer, Robert. (2016), Comunicação Pessoal. Acres USA, 2016.
  9. Anderson, A ( 2000 ) Science in Agriculture- Advanced methods for
    Susteinable Farming, Acres USA, Austin, Texas, 376 pgs.
  10. Thimothy Spann & Arnold Schumann ( s/d ) Mineral Nutrition Contributes to
    Plant Diseases and Pest Resistance, Univ.of Florida, IFAS Technical Bulletin HS
    1181.
  11. Ververidis Filippos, F. et all ( 2007) Biotechnology of Flavonoids and other
    pheylpropanoid-derived natural products. Part 1: Chemical diversity, impacts
    on plant biology and human health, Biotechnology Journal 2 (10):1214-1234.
  12. Bhattacharya A, et all. ( 2010) The roles of plant phenolic in defense and
    communication during Agrobacterium and Rhizobium infection, Mol. Plant
    Pathol. 2010 Sept, 11 ( 5 ): 705- 719.
  13. Datnoff, L., Elmer, W. and Don Huber ( 2016) Mineral Nutrition and Plant
    Diseases, APS Press, The American Phytopathological Society, 278 pgs.
  14. Martens, M.,et all ( 2018) Glyphosate, a chelating agent relevant for ecological
    risk assessment ?, Envir Sci Pollut Res. 25: 5298-5317.
  15. Gravena, Renan et all (2012), Glyphosate has low toxicity to citrus plants
    growing in the field, Can J Plant Sci, 92(1) : 119-127.
  16. Frank Dean, Lido Chem Inc. & Craig Ramsey, PhD.,USDA-APHIS, Reabilitation Of
    Huang Long Bing ( Candidatus Liberibacter ) Infected Citrus Groves by
    Changes in Cultural Practices and Tree Nutrient Acquisition , apresentada na
    AHSH, Annual Conference de 2016.

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