Agricultura Biológica Nutricional

Um Renascimento Moral, Econômico e Tecnológico

José Luiz M Garcia

Instituto de Agricultura Biológica

Maio 2024

    Inspirado por gigantes do passado, que agora repousam sobre os meus ombros, é que me valho de citações como essa, atribuída ao Prof. William A. Albrecht que, para quem ainda não sabe, foi Chefe do Departamento de Solos da Universidade do Missouri, nas décadas de 30 a 50, e a maior autoridade mundial quando se conecta a fertilidade do solo com a saúde humana e animal, e que, frequentemente, dizia :

A atividade agrícola é uma atividade biológica e, portanto, divina e jamais poderá ser

submetida a ditames industriais “, pois a biologia é regida por outras regras que as puramente  econômicas ( 1 ).

    No seu modo visionário de perceber a realidade, Albrecht acreditava que os alimentos eram, em realidade, verdadeiras fotografias do solo nos quais eram cultivados.

    Outros autores igualmente importantes como Dr Pottenger, M.D e Dr Weston A. Price, D.D.S. também chegaram a essas mesmas conclusões ( 2 e 3 ). Afinal foram esses dois gigantes Nutricionistas genuínos do passado quem primeiro concluiram que os alimentos “resetam “ os genes para a saúde ou para a dõença, e que , esses mesmos genes podem ser passados de geração a geração, contribuindo assim para a criação de uma nova ciência, a Epigenética ( 9 ). O Dr. Price foi, inclusive,  o descobridor da vitamina D3, naquela época batizada de “Fator X “ ( 3 ).

    Essa citação de William Albrecht, ao meu ver corretíssima, joga por terra toda a empáfia ufanista do Agronegócio como sendo o único caminho e a única solução para alimentar a população mundial. O agronegócio produz, quando muito, simples “commoditties” que são, nada mais e nada menos, que meras mercadorias que podem ser trocadas por moedas fiduciárias com cotações a nível local, nacional e mundial.

    Elas não garantem, qualquer tipo de nutrição e muito menos seus componentes nutricionais, são analisados rotineiramente em nenhum momento. As unidades são geralmente caixas , sacos, bushels, etc que não passam de unidades volumétricas.

    A academia, com o seu cientificismo cego e burro, carrega a sua parcela de culpa também por tentarem “tapar o sol com a peneira “, quando na década de 30, tentou   “ varrer para debaixo do tapete “ evidências de que o milho híbrido, apesar de produzir mais, tinha vários de seus componentes reduzidos , como é caso dos chamados micro elementos. Micronutrientes são minerais utilizados em pequenas

quantidades mas nem por isso menos importantes na nutrição diária. Como participam de reações enzimáticas, como cofatôres, sem eles as reações não se processariam. A analogia que podemos fazer é a de um carro que sem a devida fagulha elétrica, quando você dá a partida, não conseguirá iniciar a sua atividade, não passando, até aquele exato momento, de um grande amontoado de metal, plástico e borracha e mais nada. É exatamente a centelha quem garante a existência do movimento e da vida.

    De variedades de milhos vazias, evoluímos para variedades de soja vazias e assim por diante e passamos a alimentar os animais com essas “fontes de proteína “. Sendo elas ricas em Ômega 6, próinflamatórias, passamos a criar os primeiros animais poli-instaurados de toda a história da humanidade. Mas quem se importa ? 

    O Agronegócio, com seu complexo agro industrial, coptou, financiou e fundou escolas de Nutrição para fazer valer seus pontos de vista ( 4 ).

    “Fiat Foods” , batizadas mais apropriadamente de “Junk Foods” e “Fake Foods “, foram incorporadas às dietas ocidentais sempre sob a a égide das escolas de Nutrição , Associação de Médicos e de Cardiologistas que tentaram por décadas nos convencer que Colesterol era ruim, Gorduras saturadas eram ruins, Leite e laticínios ( sem estabelecer diferenciações ) eram saudáveis, que açúcar era bom e não tinha nenhum problema em consumi-los e até sobrou para a carne que passou a ser preterida em função de outras fontes de proteína vegetais, que empurraram a margarina e óleos vegetais poli-instaurados e rançificados, sempre com a retaguarda da associação de cardiologistas. 

    Nessa mesma época, alimentos superiores com ovos e manteiga foram virtualmente demonizados pelas “autoridades “.

    Outra analogia que forçosamente temos que fazer, é a de que toda a nossa alimentação do complexo Agro Industrial, leia-se Agronegócio, hoje em dia baseia-se no mesmo processo de emissão de moeda fiduciária. Ou seja, assim como papel-moeda é emitido, como dizem os economistas, “out of the thin air “ ( do nada ou sem nada que os lastreie ), da mesma forma são feitos os alimentos oriundos do complexo agro industrial também chamado de Agronegócio ( 4 ). 

    Qual é o lastro desses alimentos batizados de “Frankenfoods “ ? Baseiam-se, pura e simplesmente, na confiança e na recomendação feita por escolas de Nutrição custeadas pelas próprias industrias de alimentos e demais “autoridades”. É um sistema totalmente viciado.

    Para os animais não foi absolutamente diferente. Hoje a dieta de seres herbívoros magníficos que evoluíram através de milhões de anos comendo capim e com isso contribuindo para o equilíbrio do meio ambiente, são alimentados com soja, milho, resíduos industrias, como por ex. farelos, mas também com minerais na sua forma mais primitiva, ou seja, com minerais inorgânicos cuja absorção é baixíssima ( variando ao redor de 3 % ).

    Nunca o mercado de suplementos alimentares vendeu tanto, indiretamente corroborando tudo o que acima foi dito. Se os alimentos fossem de fato íntegros e genuínos jamais teríamos a necessidade de recorrer a  suplementos. E isso é valido não só para os homens, como também para os animais.

    Nesse meio tempo, as doenças cardiovasculares, cânceres, doenças auto imunes, diabetes , hipertensão, obesidade, autismo, etc… dispararam vertiginosamente.

    O Glifosato também é motivo de preocupação. Depois do seu lançamento no mercado, na década de 70, inúmeras doenças começaram a aumentar a sua incidência de forma exponencial, e algumas com uma taxa de ajuste da curva da ordem de 99,7% ( 5, 6 ).

    Se isso, não for evidência eu já não sei mais o que é. Pelo menos com o seu efeito biocida e inibidor da rota do Shikimato eu garanto que a microbiota intestinal estará sempre sob constante ataque ( 7 ).

    O que seria mais econômico para a sociedade ? Corrigir essas discrepâncias nutricionais e diminuir a incidência de todas essas doenças ou tratá-las via Sistema Único de Saúde ?

    Diante do exposto, todo agricultor ( não agronegociante ) que se pretende a executar a tarefa divina de produzir alimentos para nutrir pessoas e animais deveria primeiramente fazer um exame de consciência, que começaria por perguntar o porque dele ter escolhido produzir alimentos. Se a resposta for : “para ganhar dinheiro não importando como”, a pessoa está definitivamente no ramo errado. A produção de alimentos com elevada densidade nutricional é o que garante aos seres humanos e aos animais saúde e felicidade plenas para a continuidade da humanidade, como um todo.

   Afinal de contas o nosso DNA, queiramos ou não, ainda é o mesmo do homem das cavernas que vivia da caça e do recolhimento de frutas e raízes. Ele não está preparado para toda essa carga de dôces, gorduras trans , preservantes e corantes existentes na nossa alimentação, hoje em dia.

    A decadência e a degradação dos solos é flagrante, não importando os devaneios e reações histéricas da Academia agrícola . Haja visto toda a plêiade de movimentos de agricultura “alternativa “ que são, na maioria das vezes, nada mais que rótulos ou palavras-gatilho, mas que embora evitem substâncias tóxicas, ainda dizem amém para as formas enviesadas e anti-científicas de se nutrir as plantas, propostas e propaladas por essa mesma academia.

   Não é atôa que os alimentos perderam de 50 a 90% do seu valor nutricional nos últimos 100 anos ( 8 ).

O Prof. William Albrecht foi o primeiro a enxergar a importância do Cálcio de forma abrangente: como um importante nutriente para as as plantas, que garantiria a absorção dos demais elementos ; para o solo, floculando-o e tornando-o solto; como nutriente para todos os habitantes do solo, ou seja, toda classe de microrganismos que habitam principalmente a rizosfera das plantas, enquanto a academia míope enxergava apenas o seu valor como “corretivo” do solo e o classificava ( pasmem ) com “elemento intermediário”, sendo ele, na verdade, um dos principais MACRO elementos do solo, senão o principal ( 1 ).

   A Agricultura Biológica Nutricional inclusive, possibilita a produção de alimentos mais nutritivos e também mais baratos por trabalhar com uma nova visão de nutrição vegetal mais próxima da realidade e da Natureza. Um dos seus objetivos é tornar o produtor menos dependende do complexo agroindustrial de insumos agrícolas, com isso maximizando o seu retôrno financeiro.

    Novas tecnologias amigáveis ao meio ambiente que permitam o produtor controlar pragas e dõenças pelo seu padrão de aparecimento e desenvolvimento de forma pontual e preventiva, baseadas nos seus ciclos biológicos também propiciam uma prática não só menos tóxica, como também mais eficiente, contribuindo sobre maneira para diminuir os riscos inerentes a essa atividade.

    O Brasil tem sido pioneiro na utilização dessas novas tecnologias e serve de exemplo para o mundo pela adoção de técnicas, antes restritas ao complexo agro industrial. O exemplo disso é a adoção da produção de insumos biológicos a nível de propriedade denominadas “on Farm “. 

   Esperamos que as autoridades políticas brasileiras tenham a devida inteligência para não dificultar essa tendência, que agora é mundial, aqui no Brasil, e votem favoravelmente pela regularização do movimento “On Farm “.

REFERÊNCIAS

  1. Albrecht, W.A. ( ) The Albrecht Papers, Volumes de 1 a 6, Acres USA.
  2. Pottenger Jr., F.M. ( 1983 ) The Pottenger Cats – A Study in Nutrition, Price –Pottenger Nutrition Foundation Inc., La Mesa, CA, 123 pgs.
  3. Price, Weston A. D.D.S. ( 1945 ) Nutrition and Physical Degeneration, 6th Edition, The Price-Pottenger Nutrition Foundation, Inc.,La Mesa, CA, 524 pgs.
  4. Lysiak Mathew ( 2023 ) Fiat Food – Why Inflation Destroyed Our Health and How Bitcoin Fixes it, English Edition, Ebook Kindle, Saif House, 303 pgs.
  5. Garcia, J.L.M (2017) No More Glyphosate ! , Instituto de Agricultura Biológica, https://institutodeagriculturabiologica.org/2017/06/27/no-more-glyphosate/
  6. Garcia, J.L.M. ( 2017 ) Glifosato : Um Caminho para as Dõenças Modernas ? , Apresentação feita no Hospital Israelita Albert Einstein , Instituto de Agricultura Biológica, https://institutodeagriculturabiologica.org/2017/03/24/792/
  7. Garcia, J.L.M. ( 2017 ) Glifosato – Tudo o que você sempre quis saber mas tinha receio de perguntar, Instituto de Agricultura Biológica, https://institutodeagriculturabiologica.org/2017/01/19/glifosato/
  8. Garcia, J.L.M. ( 2024) “An Apple a Day keeps the Doctor Away “, a ser publicado.
  9. Graham, G., Kesten D. & Scherwitz, L. ( 2011 ) Pottenger’s Prophecy : How Food Resets Genes for Wellness or Ilness,

3 comentários em “Agricultura Biológica Nutricional”

  1. Boa tarde Dr. Vinagre.

    Só tenho a lhe agradecer por todo seu conhecimento compartilhado, o qual nos fez abrir os olhos frente a todas essas práticas ditas como sendo corretas e a passar observar a natureza e sua perfeição.

    Gratidão

    Reply
  2. chegando agora aqui no fórum, muito interessante as visões que voce aproveita e o referenciamento adequado pra nossa pesquisa própria. 2 ano da graduação de biologia aqui e penso muito em ramificar para a agricultura

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