“ A maioria do Carbono do solo tem origem nos açucares originários da Fotossíntese “
Em 2024 escrevi o livro intitulado Agricultura Biológica no qual além de explicar o conceito do Brix da Seiva para avaliar a sanidade vegetal, conforme descrito por Carey Reams, fazia um apanhado de algumas receitas biológicas da época, que hoje seriam consideradas Regenerativas sem dúvida alguma (1 ).
Vale a pena lembrar que os principais constituintes de uma planta são, em ordem de importância, Carbono, Oxigênio, Hidrogênio e depois Silício, Nitrogênio, etc, dependendo do tipo de vegetal.
Aquele método, embora preciso, esclarecedor, prático e de custo extremamente baixo, para algumas pessoas ainda é um problema para ser adotado. Relatam, sobretudo, inconsistências nos resultados e o fato de não conseguirem obter leituras superiores a Brix 12.
Procurarei explicar o método novamente. Uma maneira de explicar a razão do porquê algumas plantas alcançarem o Brix de 13 e 14, o que lhes garantiria uma total imunidade contra insetos e doenças (sendo que algumas arvores conseguem atingir até 17 Brix na seiva na seiva enquanto as cultivadas tenham dificuldades de atingirem 12 ), poderia ser comparado a dificuldade que as pessoas têm de pularem para o alto, estando paradas.
Uma pesquisa preliminar nos dá conta do seguinte:
Altura que pessoas conseguem pular:
Pessoas comuns (sem nenhum preparo físico) – 20 a 30 cm.
Pessoas com algum condicionamento – 30 a 40 cm.
Atletas – acima de 75 cm.
Super atletas (Pelé) – 100 cm (1 m).
Evidentemente, a altura que nós conseguimos pular está relacionada ao nosso condicionamento físico e a nossa habilidade. Da mesma forma isso ocorre com os vegetais e eu procurarei ser mais claro a respeito dessa afirmação e comparação.
Voltamos, então a questão vegetal. Nas chamadas Agronomia e Agrociências, sempre consideraram mais o solo doque as outras variáveis. Sempre acreditaram que o solo constrói as plantas, daí terem criado toda uma “ciência” para explicar esse fato ( “Soil Sciences” ), por intermédio dos chamados fertilizantes, e analises de solo extremamente primitivas e pouco conclusivas, fato esse que movimenta todo o atual setor agrícola.
Assim, primeiro acreditavam que tudo se iniciava no solo. E até mesmos os chamados pais de todo esse pensamento alternativo (que começou com a Agricultura Orgânica (a sua versão romântica), e passou pela Agroecológica (a sua versão socialista/esquerdista), depois Sustentável (a sua versão de agricultores com problemas financeiros no banco) e que agora se tornou Regenerativa ( a sua versão balaio de gatos)).
Desde o início que cientistas de renome internacional como Dr William A. Albrecht, PhD diziam: ” feed the soil and let the soil feed the plant “. Ao que os locais repercutiam o mesmo pensamento: “Alimente o solo e deixe que o solo alimente a planta “. Tornaram-se ícones as suas épocas. Mas para esses, infelizmente, eu tenho uma péssima notícia: Não é o solo quem constrói as plantas, mas sim as plantas que constroem o solo. Se não fosse assim, como então explicar fenômenos como os da floresta amazônica? E o que dizer, então, das chamadas culturas de cobertura? Os tais “Adubos Verdes”? Alguma dúvida?
Quantas provas eu preciso apresentar aos senhores de que não é o solo quem constrói as plantas, mas exatamente o contrário? Entretanto. Eu ainda estava enganado todo o tempo, já que tudo sempre começou com a semente. O solo vem depois. E a verdade chocante, para a qual nem todos estão preparados, é de que vocês dificilmente irão conseguir safras descentes usando sementes oriundas de plantas com Brix baixo, nessa faixa de 3 a 8, infelizmente. E mais ainda: com as sementes originadas dessas mesmas sementes. Principalmente se forem sementes geneticamente modificadas.
O fator mais importante para uma semente é a sua é a taxa de germinação que deverá estar entre 95 a 99%. E isso hoje em dia está muito difícil de ser obtido. Esse indicativo nos dá uma ideia de como o material genético vegetal tem origem em plantas que exibem um brix baixo. Além do mais, imaginem por um instante a seguinte situação:
Todo mundo sabe o que vem a ser um vegetal, como por exemplo o milho GMO, com a inserção do gene da proteína CRY extraída do Bacillus thuringiensis. Essa planta poderá incorporar um gene (cry1Ab) ou múltiplos genes, como também genes vip. Além do mais essa planta poderá incorporar outros genes como RR, etc… Tudo isso lhes é vendido pelas empresas de semente como sendo moderno e melhor. E até a IA tem um consenso que é um reflexo desse pensamento errôneo.
Ocorre, que cada inserção de um gene alienígena ao milho irá demandar mais energia daquele vegetal quimérico uma vez que TODAS as células daquela planta deverão conter esses mesmos genes, desde a ponta da raiz até o pendão floral masculino, ou seja, toda a planta. E isso é feito às custas de uma maior utilização de energia oriunda da fotossíntese. O resultado disso tudo é que uma planta GMO estará sempre “correndo atrás” na tentativa de obter maior energia para fazer frente a esse aumento inesperado da demanda, razão pela qual é muito difícil encontrarmos um vegetal transgênico com Brix elevado sendo, portanto, sempre um alvo ( eu diria um prato cheio) para o ataque de insetos e doenças. A verdade, doa a quem doer, é a de que uma planta transgênica será sempre uma planta “cansada” vale dizer doente, na qual a energia necessária para levar a cabo as suas necessidades diárias, estará sempre em déficit.
O cultivo da soja foi introduzido nos EUA em 1765 segundo dados da Embrapa. Entretanto, existem registros de que o aumento dos ataques de ácaros a lavouras de soja naquele país aumentou significativamente a partir da introdução de cultivares transgênicos. Sabemos hoje que as plantas destinam um percentual que varia entre 20 a 70% dos seus açucares da fotossíntese aos microrganismos de solo via raízes para receber, em troca, inúmeros minerais na sua forma prontamente assimilável incluindo o Nitrogênio. O acaro da soja somente ataca plantas cujo Brix esteja abaixo de 6.
Portanto, é de extrema importância que uma planta inicie o seu ciclo sendo oriunda de plantas que exibiram leituras de BRIX elevadas (de preferência) acima de 12. Essa planta terá as condições inerentes para que, sua prole, atinja, então, valores de Brix elevados, desde que tenha uma nutrição que privilegie principalmente os minerais da Sequência Bioquímica da Nutrição Vegetal, conforme enunciados por Hugh Lovel (2), a saber Enxofre, Boro, Silício, Cálcio etc.
O fator mais importante para que as plantas tenham uma saúde superior, quando determinada objetivamente pela medição do seu teor de Brix, são portanto, sementes oriundas de plantas saudáveis, seguidos de uma nutrição superior onde minerais-chave sejam priorizados como Silício, Boro, Cálcio, etc.
É sempre importante lembrar que será a eficiência Fotossintética quem irá determinar a produção de energia pelas plantas e quem em irá propiciar um maior volume de exsudatos e que, em última análise, irão construir o solo.
Sendo assim, a importância do Silício não poderá jamais ser negligenciada uma vez que, graças a esse único mineral, inúmeros outros aspectos irão ser endereçados, como por exemplo:
- Aumento da disponibilização de Fósforo solúvel. Além de outros minerais.
- Aumento do crescimento das raízes. Nutrição aumentada em até 8X.
- Maior Descompactação, leia-se mais oxigênio para as raízes e microrganismos. Oxigênio é o segundo maior elemento requerido pelas plantas depois do Carbono.
- Aumento do Brix, portanto mais energia para os vegetais. Maior construção do solo. Vejam bem, o Silício é um poderoso estimulante da microvida do solo.
- Maior eficiência fotossintética.
- Maior resistência a estresses abióticos (Seca e inundação)
- Melhoria da Nutrição luminosa via criação de camada microscópica na superfície das folhas
- Eliminação do excesso prejudicial de radiação UV.
- Mais Brix = mais açúcar, mais aroma, mais consistência, mais densidade nutricional.
Além de inúmeros outros benefícios ( 2 ) . Tudo isso nos lembra apenas o tamanho diminuto da nossa incapacidade de interpretar a realidade, ou seja, a Natureza. por inúmeras outras razões como ego inflado de supostos doutores conhecedores da matéria, tecnocracia, falta de observação, ou simplesmente pura ignorância mesmo, mas sobretudo por ignorarmos a magnitude da grandeza da Criação.
Como o Brix varia durante o período do dia, sendo necessário medi-lo preferencialmente ou as 9 horas da manhã ou no final da tarde ( 18 horas ), além de existirem outras recomendações que vão muito além do escopo desse artigo, eu me reservo o direito de reuni-las em um mini curso com duração de um dia que será apresentado em diversos locais do Brasil à partir de Outubro de 2026.
Referências
- Garcia, J.L.M.(2022) Agricultura Biológica, Agricultura Não Tóxica para o Século XXI, Técnica Avançadas para o Agricultor Sustentável, Editôra Garcia, Juiz de Fora, 2002, 109 pgs.
- Lovel,Hugh ( 2014) Quantum Agriculture– Biodynamics and Beyond, Quantum Agriculture Publishers, Blairville, Georgia, USA, 216 pgs.
- Gutierrez, Edgar Quero ( 2024 ) Ciência de Frontera. Innovaciones Tecnológicas al Servicio de la Milpa, Al Servicio del Campo, Secretaria de Agricultura y Desarrollo Rural ( SADER ), Ciudad de Mexico, Mexico, 444 pgs.
Bom dia! Excelente texto, Dr. José Luis. Quero fazer o curso. A realidade precisa ser dita. Grato