Plantas não são Autotróficas e nem se alimentam exclusivamente de minerais
Esse é o refrão do tango “ Yira, Yira” criado pelo compositor argentino Enrique Santos Discépolo e que foi imortalizado pelo saudoso cantor Carlos Gardel. O maior cantor de tangos de todos os tempos daquela nação vizinha e irmã. Esse refrão retrata bem o atual status quo da agricultura, que tanto insiste em se auto-rotular de “Agro Negócio”, para manter os agricultores reféns de fórmulas químicas solúveis que predispõem as plantas aos ataques de doenças e insetos.
Na verdade, há várias décadas, o grande Dr. William A. Albrecht, PhD, o primeiro professor de solos a discordar do atual modelo agrícola, nos alertava para o fato de que “a agricultura é uma transação biológica e não econômica “
Realmente, em pleno século XXI se alguém ainda acreditar que as plantas se alimentam de íons, merece receber um tratamento por pessoal especializado em problemas mentais, ou então um prêmio outorgado pela indústria de fertilizantes químicos solúveis
Esse tema já foi anteriormente motivo de um artigo meu escrito em março de 2020, intitulado “Nem só de minerais vivem as plantas “ (1 ). E ele nos remete a de que forma a nossa realidade é manipulada para atender a certos interesses, muitas das vezes, escusos. E nesse caso particular nem a Inteligência Artificial vai poder lhe ajudar. Porque ela usa regras e grandes volumes de dados para achar padrões e gerar respostas. Ela se baseia em tudo o que foi publicado até o momento.
De nada adiantaria então você perguntar a I.A., por exemplo, se o Silício é um elemento essencial ao desenvolvimento das plantas, pois a I.A. irá obter uma resposta baseada nos padrões de pensamento publicados por milhares de pesquisadores que, hoje sabemos, são guiados e geridos por toda uma estrutura já descrita como Ditadura Cientifica ( 2, 3 ), e que, hoje sabemos, diante dos resultados obtidos no campo com algumas fontes desse elemento, demonstram que esses ditos cientistas estão totalmente equivocados.
Já foi dito que, quando você está na fronteira do conhecimento, de nada adianta recorrer a seus pares, exatamente por não existem pares e, por conseguinte, não existirem “consensos científicos”, que aliás é um conceito muito pouco científico, já que a ciência não é uma questão de Democracia.
Recentemente, fomos confrontados com os trabalhos do Dr. White e sua equipe multidisciplinar internacional de altíssimo gabarito, conforme informado em (4), no qual ele explica de forma elegante, como as plantas admitem a entrada de bactérias pelas células das pontas de seus pelos absorventes, para depois oxidá-las e, então, devorá-las e, assim fazendo, nutrir-se das mesmas.
Sendo, portanto, o jargão científico da nutrição via NPK, uma grande mentira “científica” pelo fato das plantas não serem autotróficas e, portanto, não se alimentarem somente de minerais. Fato esse, hoje amplamente reconhecido e comprovado.
O que dizer, então, do casal Bargyla e Gylver Rateaver, autores do tratado de 556 páginas, intitulado The Organic Method Primer publicado pela 1ª. vez em 1973 ( 5 ), onde já, naquela época, nos alertava para o fato de que “desde a desastrosa integração de químicos de síntese na Agricultura que uma grande estrutura de erros foi construída sob a falsa premissa de que somente íons podem ser absorvidos pelas plantas” e traziam à luz os trabalhos sobre absorção direta escritos por W. Fraig, falando na convocação do Vaticano sobre Matéria Orgânica e Fertilidade do Solo quando apresentou o trabalho “Absorção de substâncias orgânicas da M.O. do solo pelas plantas e a influência no seu metabolismo” .
Nora M.Stark que trabalhou com ele àquela época, antes da endocitose ser conhecida, fez a seguinte contundente observação: “É possível que em solos muito pobres, as micorrizas sejam extremamente importantes na tarefa de fornecer nutrientes às plantas, diretamente de materiais em decomposição no solo, às raízes das plantas
O que devemos pensar então de pessoas, como os atuais catedráticos, de importantes instituições de ensino e pesquisa, como a USP, que (pasmem) ainda por cima se vangloriam da sua evidente ignorância, ao publicarem, vídeos supostamente jocosos, em redes sociais.
A Rizofagia e a Endocitose são outros mecanismos de absorção que as plantas dispõem para se nutrirem adequadamente e, diga-se de passagem, não são tão secundários assim, como se supunha anteriormente. Senão, como explicaríamos o sucesso de mercado retumbante de produtos tais com Amino Ácidos (hoje uma verdadeira panaceia na Agricultura ), produtos como as Substâncias Húmicas, erroneamente chamadas de “Leonardita” aqui no Brasil, Extratos de Algas (Aschopyllum nodosum) e agora, ultimamente, produtos à base de pescados marinhos, como o Ferti-Peixe e farinhas de crustáceos que funcionam basicamente como estimulantes dos microrganismos da rizosfera notadamente dos fungos e bactérias do solo, que são quem realmente nutrem as plantas com substâncias que elas reconhecem como sendo “ comida”, mas que também, ao fazer isso, nutrem também a planta com as suas moléculas orgânicas únicas.
Figura 1 – Diagrama do caminho Endocitose/Exocitose . Desenhado pela 1ª. Vez por Sam Hinton, La Jolla, a partir de um rascunho de L. Fowke (Adaptado por IA).
Como é de conhecimento geral, O USDA publicou décadas atras o Soil Biology Primer, no qual a Dra. Elaine Ingham apresentava pela primeira vez o seu revolucionário conceito do Soil Food Web onde enfatizava que a fertilidade de um solo dependia da sua relação Fungo:Bactéria (6).
Aliás, as plantas destinam à alimentação desses seres que habitam a rizosfera entre 20 e 70% de toda a sua produção de açucares (C6H12O6) e o fazem por um bom motivo (7), são esses seres microscópicos que trabalham para elas diuturnamente e de forma ininterrupta, fornecendo N, P, Ca, K, Mg, Zn, etc, porém numa forma em que eles possam ser assimilados de imediato, sem dispêndio energético. Como sabemos, as plantas produzem também inúmeros ácidos orgânicos como carbônico, fórmico, acético, oxálico, tartárico, cítrico, e de todos esses o que mais contribui para o chamado ciclo Biogeoquímico, quem é que realmente move o “volante” do solo, é o ácido carbônico (8).
A agricultura verdadeiramente orgânica, ou sustentável ou até mesmo regenerativa, é na verdade um processo biogeoquímico, onde ocorrem uma série de reações presentes desde a origem da vida na Terra, entre resíduos vegetais ricos em Carbono , Carbono fixado no solo, minerais primitivos ricos em Silício (25% de Si) e um verdadeiro consórcio de microrganismos ( 66 bilhões de indivíduos por grama de solo).
Consultando a I.A. conseguimos ter uma ideia da biomassa microbiana em solos agrícolas e solos saudáveis conforme abaixo.

É interessante notar a diferença que existe entre solos agrícolas e solos de floresta em termos da quantidade e de diversidade dos micros e dos macros organismos de solo. E é igualmente, interessante verificar que, se não tivermos uma microbiologia do solo pujante e robusta, jamais iremos fazer com que o “Volante do Solo”, como batizado por Hugh Lovel, funcione a contendo, tornando impossível a prática de uma agricultura realmente orgânica, sustentável ou até mesmo regenerativa.
Existem evidências, que o Silício trabalha em conjunto com esses microrganismos, por ser um poderoso estimulante da microvida e que, então, esses minerais já estariam sendo fornecidos às plantas em uma forma coloidal. Tudo isso está descrito de forma magistral na obra do Dr. Quero (8).
Só não vê quem não quer!
Referências
- Garcia, J.L.M. ( 2020) Nem só de minerais vivem as plantas, Blog do Instituto de Agricultura Biológica, www.institutodeagriculturabiológica.org
- Philip Collins & Paul Collins (2 ) The Ascendancy of the Scientific Dictatorship: An Examination of Epistemic Autocracy, From the 19th to the 21st Century,
- Garcia, J.L.M.( 2020 ) A Ditadura da “ Evidência Científica” Blog do IAB, www.institutodeagriculturabiológica.org
- Garcia,J.L.M. (2021) Nem mesmo as plantas são vegetarianas, Blog do IAB, http://www.institutodeagriculturabiologica.org
- Rateaver. Bargyla & Gylver Rateaver (1993) The Organic Method Primer, Update, 2nd Ed., The Rateavers, San Diego, Ca, 556 pgs.
- Ingham, E.R.,et all (1999) Soil Biology Primer, USDA Bulletin ,New Edition in 2000 by Soil and Water Conservation Society, www.swcs.org
- Thomas Dykstra, Phd. (2026 ) Comunicação Pessoal.
- Gutierrez, Edgar Quero (2024) CIENCIA DE FRONTERA, Innovaciones Tecnológicas al Servicio de la Milpa, Al Servicio Del Campo, Secretaria de Agricultura y Desarollo Rural ( SADER ), Libros del Campo, 444 pgs.


Fantástico saber que ainda existe massa celfálica pensante nesse mundo!!!!!!
Parabéns pelas sábias pontuações doutor Sílica!!!!!
Grato pelas palavras de incentivo, mas vindo de vc não vale porque vc é minha amiga. Continue o seu trabalho maravilhoso no Vale do São Francisco.