“ O essencial é invisível para os olhos “
Antoine de Saint-Exupery
José Luiz Moreira Garcia
Instituto de Agricultura Biológica
Outubro de 2026
Devido ao fato do Silício ainda não ter sido definido pela “Academia dos pés de barro”, local habitado pelos “nhôs dotõres”, como elemento essencial para a nutrição dos cultivos agrícolas, a sua participação no metabolismo e na fisiologia dos vegetais, por conseguinte, não é considerada importante no desenvolvimento produtivo e sustentável das culturas. Entretanto, com base nas experiências de produção, no manejo de sistemas agrícolas e nas respostas fisiológicas observadas na nutrição com minerais ricos em silício, se estabeleceram os seguintes benefícios:
O Silício se encontra na natureza, principalmente em sua forma sólida, no seu estado oxidado SiO2, ocupando de 70% a 90% dos componentes sólidos do solo, sendo o segundo componente dos minerais primários. Não se encontra na sua forma elementar (Si) nos sistemas naturais. Está presente na solução do solo entre 50 e 100 ppm como ácido Orto-Silícico (H4SiO4) – , e nas suas formas iônicas [H3SiO4]- , [H2SiO4]=, [HSiO4] 3- e [SiO4] 4- , que formam sais solúveis (silicatos) com os cátions Ca++, Mg++, Fe+, Zn+, Cu+, K+, Na+, etc .
A água é o solvente universal e essa propriedade é melhorada substancialmente quando nela ocorre o silício na forma de H4SiO4. Por isso, os nutrientes catiônicos são mais solúveis, melhor assimilados e facilmente transportados através dos tecidos vegetais. Finalmente, quando o transporte dos nutrientes é concluído, o silício se torna livre. E como o Silício suporta a nutrição das folhas, a concentração é alta na epiderme, onde forma estruturas sólidas e insolúveis (tricomas e fitólitos) .
O Silício contido no solo varia, segundo a exploração deste pela agricultura e pela erosão causada pelo clima, ocorrendo concentrações na camada arável de 25 cm, de 350 ton/ha até 780 ton/ha. Foi estabelecido que concentrações abaixo de 400 ton/ha limitam a produtividade e a sanidade dos cultivos e das colheitas e, consequentemente, o Silício é parte fundamental do desenvolvimento da sustentabilidade.
As moléculas de silício fisiologicamente ativas são solúveis, estáveis e assimiláveis, e estas incluem os monômeros, dímeros, polímeros e coloides de ortosilícico (H4SiO4), potencializando a sua função nos vegetais cultivados para suportarem os estresses bióticos e abióticos, ao formar oligômeros com polímeros de carboidratos, proteínas e seus íons com cátions de Cálcio, Magnésio, Potássio, Zinco, Ferro assim como as suas formas sólidas de quartzo.
A epiderme, tecido que forma uma barreira protetora entre o meio ambiente e as células que compõem os diferentes tecidos da planta, contém de 10% a 50% de silício, formando estruturas sólidas e flexíveis, com funções biológicas específicas. Algumas dessa estruturas são os chamados fitólitos e tricomas. As diferentes formas de tricomas permitem desde a assimilação de nutrientes até a liberação de compostos que repelem e suprimem o desenvolvimento de bactérias, fungos, insetos e ácaros que prejudicam dos cultivos agrícolas. Assim também, quando o cultivo se desenvolve adequadamente, o silício estimula a simbiose, principalmente com os microrganismos.
Além disso, nas células da epiderme da planta, o silício pode estar presente na sua forma polimérica e coloidal, as quais permitem manter disponíveis a água e os minerais, mantendo os tecidos vegetais em turgescência. Por outro lado, os fitólitos (forma biológica do quartzo ) as permitem aproveitar melhor a luz , uma vez que eles a dispersam e eliminam o efeito da luz ultravioleta.
Tudo isso, permite uma proteção física e química, que resulta na resistência e adaptação aos estresses bióticos e abióticos. Em plantas como o milho, trigo, arroz, cana de açúcar, cevada e aveia, os fitólitos chegam a cobrir de 20% a 70% da epiderme da parte superior da folha, limitando a perda de água por transpiração e os efeitos da geada, já que os fitólitos atuam como isolantes térmicos.
Adicionalmente, as diferentes formas de Silício solúvel nos tecidos vegetais permitem uma melhor mobilidade de minerais , carboidratos, metabólitos secundários e proteínas. O silício, pela indução da formação do tecido vascular do tipo traqueídes (células alongadas e cilíndricas que compõem o xilema das plantas) e pela inteiração química iônica, melhora substancialmente os processos metabólicos envolvidos na produtividade, pelo que, os minerais ricos em silício melhoram a precocidade das colheitas e incrementam o diâmetro dos talos e ramos.
Para uma melhor produção, é importante que a disponibilidade em quantidade, oportunidade e qualidade do silício se proporcione desde o início do desenvolvimento da planta. Para que isso ocorra, os minerais ricos em silício devem ser aplicados antes da germinação das sementes ( via solo ) e durante toda o desenvolvimento da cultura, por via foliar, já que as estruturas silícicas se renovam e se formam constantemente, sobre todos os lugares de crescimento ativo foliar, bem como radicular.
Os minerais ricos em Silício estimulam o desenvolvimento da flora microbiana do solo, bactérias, fungos e algas, de tal maneira que é possível aumentar a assimilação de Nitrogênio, pelo processo de fixação simbiótica de N ( tipo Soja /rhizobium, Milho/Azospirillum ) e pela ação individual de algas e bactérias fixadoras de Nitrogênio.
O sistema radicular tem a capacidade de detectar a presença de silício, desenvolvendo diferentes estratégias metabólicas e fisiológicas para o assimilar. Se observa um desenvolvimento abundante de tricomas absorventes radiculares nas raízes secundárias, tecido de condição do tipo xilema, traqueides e ativa a capacidade de armazenamento das reservas de carboidratos ( maior diâmetro de talos e ramos ) , na forma de amido ou frutanos ( polímeros de frutose ) em células especializadas, principalmente aquelas contidas na medula do talo.
O silício é requerido durante os primeiros estágios de desenvolvimento dos frutos em geral, do milho, da batata, do algodão, da maçã, pêssego, morango, café, citrus, etc. proporcionando níveis adequados de minerais e carboidratos, razão pela qual o silício ocasiona um aumento do brix das plantas e dos frutos.
Essa é a principal razão pela qual ele permite visivelmente um aumento da vida de prateleira de frutos perecíveis.
Obs. As informações contidas nesse artigo foram extraídas do livro mencionado a seguir:
Gutierrez, Edgar Quero ( 2024) Ciencia de frontera, obra baseada em toda uma vida de pesquisa sobre o Silício. O Dr Quero tinha sólida formação acadêmica tendo obtido o seu mestrado em Biologia Molecular na UCLA e PhD em Fisiologia Vegetal na mesma Universidade. Foi pioneiro na utilização da técnica de Microscopia Eletrônica de Varredura para análise de elementos presentes no solo e na planta.
Seu livro foi publicado pela Secretaria de Agricultura y Desarrollo Rural ( SADER) após o seu falecimento em 21/05/2020.
Dr Quero possuía sólida formação científica, transitando com maestria por diversas disciplinas como a Bioquímica, Fisiologia Vegetal, Biologia Molecular, Nutrição Vegetal, Microbiologia de Solos e Microscopia eletrônica. Sua abordagem unia ciência moderna de ponta ao profundo respeito e regate do conhecimento agrícola ancestral das culturas mesoamericanas e maias. Para ele, a produtividade do solo dependia do fluxo de energia ( vale dizer dos elétrons) e da atividade biológica, e não da simples adição de fertilizantes químicos.
Vejam bem, não é porque eu não saiba tocar violino, que esse isso me dá o direito de descredibilizar a execução desse instrumento fundamental para a execução da verdadeira música. Mas vejo muito isso acontecer entre os chamados “cientistas” tupiniquins, notadamente daqueles residentes em províncias espalhadas por esse Brasil á fora. Já foi dito que :
“ A Natureza não é mais complicada do que imaginamos. Ela é mais complicada do que podemos imaginar”. É o caso.